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Um sonoro NÃO ao preconceito!

31/03/2011

Recentemente, vimos em jornais e na mídia em geral, casos de manifestação de preconceito feitos por políticos aos negros e homossexuais.

Um dos casos foi o do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), defensor da ditadura, o qual respondeu a pergunta de Preta Gil – qual seria a reação de Bolsonaro se um filho dele namorasse uma negra? – da seguinte forma: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu”. Isso está gravado em vídeo .

O outro caso, e não menos lamentável, é o do deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), o qual afirmou em seu twitter  que os africanos “descendem de ancestrais amaldiçoados por Noé” e afirmou que gays têm “podridão de sentimentos” que, segundo ele, “levam ao ódio, ao crime e à rejeição”.

Nas eleições de 201o também houve manifestações de preconceito e discriminação contra grupos sociais, especialmente contra os nordestinos, sendo o caso mais comentado o da estudante de Direito (sim, Direito!) Mayara Petruso, a qual escreveu em seu twitter que “Nordestino não é gente, faça um favor a Sp, mate um nordestino afogado!”. Mas o pior foi perceber que logo em seguida a sua publicação, ela ganhou adeptos, e vários outros comportamentos similares (e deploráveis) de preconceito ocorreram via twitter.

Ora, esse tipo de  hostilidade e desprezo contra grupos de pessoas ou povos de outras raças, demonstra claro e reprovável preconceito de ambos os políticos e também da estudante.

O fato é que é muito triste saber que quem cometeu essas atrocidades mais recentemente foram os “representantes” do povo, eleitos para promover a defesa dos direitos sociais de nosso país. Tal comportamento deixa claro, seguramente, uma coisa: não estão preparados para exercerem o papel que a Constituição lhes outorgou, por meio de seus mandatos, haja vista que a própria Constituição estabelece que não deve existir – em quaisquer situações – preconceito de qualquer natureza no Brasil. Aqueles que votaram nesses deputados nas eleições passadas devem refletir sobre a possibilidade, e porque não dizer, a certeza, de não votar neles futuramente!

Neste contexto, é importante salientar o que está por traz desses comportamentos preconceituosos, os quais percebemos, de vez em quando, em nossa sociedade. O preconceito nasce, antes de mais nada, da ignorância daquele que o pratica. Ignorância no sentido de não ter conhecimento sobre a realidade da sua vítima, porque vive preso ao seu próprio mundo, à sua realidade, e o seu umbigo é o centro do universo. Ele se acha o dono da verdade absoluta. Assim, esquece de abrir os olhos e a mente para outras possibilidades, esquece de perceber que o mundo não se resume à sua própria existência, ao seu próprio corpo e sua cor, aos seus próprios interesses, aos seus próprios julgamentos e percepções da realidade. Logo, o preconceito é fruto de uma falsa e perniciosa sensação de superioridade por parte de alguns indivíduos. Estes pensam que podem determinar como os outros deveriam ser, ter e fazer, ou seja, como os outros deveriam viver.

No entanto, tomemos cuidado, pois o preconceito existe independente dos homens e mulheres públicos. O preconceito está nas piadas contra negros e outros grupos sociais, está na contratação de empregados nas empresas, está na gestão das empresas, quando apenas certos grupos sociais ascendem aos maiores cargos, está nas diversas mídias, como a tv, na qual raros negros exercem papeis de destaque, está na escola e na universidade, quando grupos sociais são discriminados, está na família, quando de alguma forma os mais velhos expressam preconceito perto de crianças que estão aprendendo e formando o seu próprio mundo, enfim, está muito mais próximo de nós do que imaginamos, e, muitas vezes, de forma oculta, velada. Portanto, policiemo-nos! Não sejamos nós os colaboradores à criação ou à manutenção de um mundo repleto de preconceito, discriminação e segregação!

Mas apesar de tudo, felizmente estamos num país democrático, e as repercussões dos preconceitos explícitos, especialmente aqueles cometidos publicamente nas tvs e demais mídias, são rapidamente repudiados pela massa crítica de pessoas que não subestimam mais a sua capacidade de intervir nessa realidade e, assim, colocar os preconceituosos no seu devido lugar, com a maior arma que um povo pode ter: a capacidade de se expressar, de se manifestar por meio dos diversos meios de comunicação, de emitir a sua indignação, de exigir um comportamento mais adequado de qualquer indivíduo – político ou não – ao valor primeiro da democracia: a convivência dialética e pacífica, em sociedade!

Vamos todos dizer um sonoro NÃO ao preconceito! ♦

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3 Comentários leave one →
  1. Geverson Grzeszczeszyn permalink*
    01/04/2011 19:50

    Assine a petição de cassação do Bolsonaro: http://www.change.org/petitions/petio-para-cassao-do-mandato-do-deputado-federal-jair-bolsonaro-pp-rj#signatures

  2. 25/05/2011 16:49

    diga NÃO ao preconceito
    somos todos iguais de um jeito diferente cada
    um na sua ser diferente é o que temos em comum
    preconceito é crime e é sinceramente uma falta de educação
    nunca devemos fazer com os outros o que não queriamos q fizessemos com nós mesmos
    se essa menina q falou no twiter dos nordestinos fosse uma nordestina ela certamente não ia gostar do comentario

  3. Geverson Grzeszczeszyn permalink*
    03/06/2011 00:11

    02/06/2011 17h54 – Atualizado em 02/06/2011 18h18
    Justiça Federal abre processo contra suspeita de ato racista no Twitter
    OAB de Pernambuco também entrou com ação contra a estudante.
    Autor de frases contra moradores do Sudeste é investigado.
    http://glo.bo/mlNfej
    A Justiça Federal de São Paulo abriu um processo contra a estudante Mayara Petruso, suspeita de escrever mensagens racistas contra nordestinos no Twitter. O processo foi aberto após denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal de São Paulo. A denúncia foi oferecida no dia 3 de maio e o processo foi aberto no dia 4 de maio.
    As frases preconceituosas foram publicadas no dia 31 de outubro de 2010, após a eleição da presidente Dilma Rousseff. Segundo a denúncia, oferecida pela Procuradoria da República em São Paulo, a jovem teria escrito “Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a Sp: mate um nordestino afogado!”.
    Em depoimento ao Ministério Público, a garota assumiu que postou os comentários e confirmou que a cópia da tela preservada como prova pertencia ao seu perfil.
    OAB de Pernambuco
    A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Pernambuco também entrou, nesta semana, com uma ação penal privada na Justiça Federal de São Paulo contra Mayara Petruso. O presidente do órgão, Henrique Mariano, explicou ao G1 que a OAB teria tomado a atitude após procurar o Ministério Público Federal de São Paulo para saber detalhes sobre o andamento do caso e não obter informações sobre os procedimentos adotados.
    “Resolvemos ajuizar contra ela uma ação privada, que é uma medida judicial que só podemos tomar quando se comprova a inércia do órgão competente, no caso, o Ministério Público Federal de São Paulo. Resolvemos não esperar maiss e entrar com essa medida, pois no nosso entendimento nada justifica este retardo no que diz respeito à situação dela”, afirmou Mariano. “A autoria do crime já estava configurada, não há dúvidas de que ela postou as mensagens contra o povo nordestino. Ela, inclusive, deu declarações públicas e pediu desculpas pelas mensagens. Nós apontamos a responsabilidade dela na prática de racismo e incitação pública ao crime de homicídio”, afirmou.
    saiba mais
    ‘Se fez isso, precisa ser punida’, diz pai de autora de frases sobre nordestinos
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    ONG lista ‘tweets’ contra nordestinos e envia material ao Ministério Público
    Ministério Público prepara laudo sobre suspeita de racismo no Twitter
    Segundo o presidente da OAB-PE, a estudante teria praticado os crimes de racismo e de incitação pública ao crime de homicídio. “Naquela oportunidade, ela solicitou que cada paulista matasse um nordestino afogado. O crime de racismo é imprescritível e inafiançável. Apesar de o ato ter ocorrido no ano passado, não há possibilidade de haver prescrição do crime”, afirmou.
    Segundo o Ministério Público Federal, sobre as acusações de não ter passado informações à OAB, a assessoria informou que o caso tramitou sigilosamente até o recebimento da denúncia pela Justiça. O objetivo era preservar o conteúdo das quebras de sigilo das mensagens necessárias para confirmar se o perfil realmente era atualizado pela jovem. Ainda segundo o órgão, diversas entidades denunciaram o caso, não somente a OAB, portanto não seria viável fornecer informações a todos os representantes desses órgãos.
    O G1 tentou entrar em contato com a família de Mayara até às 17h45, mas não teve sucesso.
    Outra investigação
    Além do caso de Mayara Petruso, outra pessoa moradora do Recife teria postado frases que ofenderam residentes no Sudeste. Foram colhidos alguns dados para sua identificação, inclusive com pedidos de quebra de sigilo autorizados pela Justiça Federal de São Paulo, mas não foram encontrados elementos suficientes para a identificação do autor das frases, que seria uma mulher.
    Na avaliação do Ministério Público Federal, as duas mensagens possuem conteúdo semelhante e são racistas – uma direcionada contra nordestinos e outra contra paulistas. O órgão requereu que cópias das investigações relacionadas ao segundo caso de racismo fossem remetidos à Justiça Federal de Recife para o prosseguimento das investigações.

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