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O direito, e, sobretudo, o dever de se manifestar politicamente!

10/05/2011

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 02-03/06/12, ano XIII, ed. 3363, p. A20.

Uma das mais importantes capacidades do ser humano é a capacidade de se manifestar, de se expressar, de emitir suas opiniões e percepções sobre o mundo. Na realidade, estamos a todo o momento observando, experimentando, analisando, julgando e, consequentemente, elaborando as nossas interpretações sobre tudo aquilo que, de alguma forma, nos afeta, especialmente sobre temas políticos.

Assim, temos opiniões sobre quase tudo: pensamos sobre as coisas, julgamos, temos uma posição a respeito de algo. Mas tais opiniões moram no campo do pensamento e nem sempre as expressamos. Optamos por guardá-las para nós mesmos. Os motivos são diversos. Muitas vezes, simplesmente pensamos não ser adequado. Outras, porque não queremos nos envolver em “conflitos” com aqueles que pensam de forma diferente de nós. Às vezes, não temos espaço para nos manifestarmos porque as estruturas de poder onde estamos não nos permitem ou tolhem, de alguma forma, a nossa liberdade. Outras ainda, porque temos coisas mais importantes para fazer do que se manifestar e expor o que pensamos. E outras, finalmente, porque a vida é muito corrida e não temos tempo a perder. Afinal, a vida passa e precisamos viver!

O fato é que quando nos afastamos do direito de se manifestar ou de se expressar sobre política, estamos abrindo mão de nossa capacidade de mudar o mundo. Por mais que não percebamos, a omissão nos torna também responsáveis pelos problemas da sociedade. Quando guardamos para nós mesmos nossas avaliações, julgamentos, opiniões e nossas interpretações sobre o mundo e sobre a nossa realidade, estamos consentindo a realidade que temos. E essa realidade, da forma como se encontra, pode não ser sequer satisfatória.

De fato, em diversos momentos, fechamos os olhos para os problemas da sociedade e nos acomodamos por, supostamente, termos feito o nosso papel. Afinal, já votamos, e agora, o trabalho é com os políticos. Sim, terceirizamos aos nossos representantes políticos a criação de uma sociedade melhor. Deixamos que eles ajam de acordo com suas convicções e façam aquilo que quiserem. E só nos lembramos de políticos e da política quando existem temas polêmicos a serem discutidos e votados nas assembleias legislativas, ou quando nos confrontamos com problemas em organizações e espaços públicos.

Entretanto, nos enganamos, pois a nossa atuação, no papel de cidadãos, apenas começa com o voto na urna. Fiscalizar, avaliar, julgar, apoiar e criticar o desempenho de políticos é um dever dos eleitores e cidadãos de uma nação, estado e cidade. É nossa obrigação, minha e sua, de cada um de nós! É também um direito! Podemos e devemos fazer isso sem constrangimentos. Afinal, os políticos representam o povo e somente estão em cargos públicos por causa do povo. O mesmo povo que paga, com altos impostos, os altos salários e demais benefícios que compõem as remunerações de políticos e seus assessores, assim como de todos que ocupam cargos em confiança em organizações púbicas.

Somente a atuação crítica, expressa, manifesta, de cidadãos e cidadãs, elevará o nível do ambiente político de nossa cidade, estado e país. E todo lugar é adequado para se discutir a política e o comportamento de políticos: lares, escolas, universidades, locais de trabalho, churrascos com amigos, reuniões de parentes, igrejas, clubes, etc. Enfim, quando duas ou mais pessoas estiverem reunidas, é possível trocar ideias sobre o quanto a política que temos está contribuindo para melhorar a sociedade.

A nossa omissão é uma forma de deixar tudo como está! Portanto, fiscalizemos, avaliemos e manifestemo-nos diante das realidades que vivemos e diante das ações e comportamentos de políticos. Façamos a nossa parte! Construir uma sociedade com mais justiça social, mais distribuição de renda, menos desigualdades, mais oportunidades e mais possibilidades de crescimento e desenvolvimento para todos, exige de nós participação e envolvimento.

É óbvio que parte dos políticos fica muito feliz por sermos, em geral, tão apáticos ou indiferentes com a política. Aliás, são tão acostumados com a omissão política dos cidadãos que ficam até incomodados e nervosos quando veem a população organizada adentrando os espaços públicos, como as assembleias legislativas, prédios públicos e ruas. É necessário mudar isso! O aprimoramento da democracia depende de posturas e ações mais críticas de cidadãos e cidadãs. ♦


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