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Ser chefe não significa ser líder

17/05/2011

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 22-23/09/12, ano XIII, ed. 3441, p. A18.

O fenômeno da liderança é um dos temas mais estudados na ciência da administração. Isso se deve à sua importância para a consecução de resultados nos mais diversos grupos sociais. Nas empresas e em outros tipos de organizações, a liderança é permanentemente almejada por aqueles que pretendem conseguir resultados por meio de pessoas. Entretanto, muito se fala sobre a liderança, mas a realidade mostra que sobram chefes e faltam líderes.

A liderança é o fenômeno caracterizado pelo poder de influência de um líder para conseguir certos resultados de um grupo de pessoas. A grande característica da liderança é a influência informal, ou seja, aquela que não é fruto de pressão, nem de imposição ou coerção, nem de ordem a ser cumprida, nem de ameaças, nem de medo. A liderança não é algo forçado.

A liderança é algo conquistado por uma pessoa, a qual adquire credibilidade pelo seu comportamento, por seus atos, pela forma como se relaciona com os demais, pelo modo como satisfaz as necessidades dos liderados, pelos resultados que consegue e por que isso tudo é reconhecido como algo bom e de valor por seus seguidores. Deste modo, o líder acaba merecendo o respeito e a consideração de seus liderados ou seguidores.

E os chefes, são líderes? Não necessariamente. Um chefe tem o poder formal de mandar, ou seja, a organização ou a empresa lhe atribui um cargo e este cargo lhe proporciona o poder de mandar em seus subordinados. Não importa se o chefe possui a credibilidade ou a admiração dos subordinados. Ele manda porque pode fazer isso. E se os subordinados não o obedecerem, o chefe tem o poder formal de puni-los e até demiti-los, se julgar necessário. Assim, em muitos casos, o chefe é apenas um chefe mesmo. Aquele que os subordinados o obedecem somente porque ele é o chefe (ele manda!), nada mais. Obedecem porque, se não o fizerem, podem ser punidos.

O problema é que esse fato pode reduzir a produtividade ou a capacidade dos subordinados de conseguir alto desempenho em suas atividades, haja vista que tenderão a dedicar-se apenas o suficiente para não serem punidos. Não vão comprometer-se com a organização. Aliás, obter o verdadeiro comprometimento do empregado para com a empresa tornou-se um dos grandes desafios da gestão de pessoas no mundo atual, justamente porque ao mesmo tempo em que o empregado ouve o discurso da valorização das pessoas na empresa, ele percebe que, paradoxalmente, é descartável, facilmente substituível. Não possui estabilidade.

Diante do exposto, conclui-se que o ideal seria o chefe ser também um líder. Dessa forma, ter o poder formal (cargo de chefia) e também o poder informal (credibilidade perante os subordinados) de influenciar as pessoas para o alcance de objetivos criaria um ambiente psicológico altamente favorável para a produtividade e altos resultados dentro da organização. Logo, ser apenas chefe parece não ser suficiente, mas ser apenas líder, também pode não gerar os resultados esperados. Ambos são importantes, haja vista que nem sempre as decisões serão fáceis de tomar, porque podem não agradar aos liderados. Neste caso, o poder formal facilita as coisas e permite implementar a decisão e o poder informal pode amenizar as resistências.

Mas, afinal, todos podem desenvolver a liderança? Todos podem ser líderes? No passado, houve aqueles que afirmavam que a liderança era inata, ou seja, a pessoa nasceria com o dom da liderança. E ainda há pessoas que pensam dessa forma. Porém, atualmente, há consenso entre os estudiosos de que a liderança pode ser aprendida ou desenvolvida por qualquer pessoa. E isso também é uma questão de lógica, pois não podemos desprezar a capacidade de aprendizagem do ser humano. É óbvio que há pessoas com predisposição natural para a liderança, por possuírem, principalmente, facilidade de relacionamento e carisma. Mas tais características de personalidade apenas facilitam o desenvolvimento da liderança, nada mais.

Portanto, é possível desenvolver a liderança por meio de mudanças ou adequações em atitudes, comportamentos e ações diante dos liderados ou subordinados. De fato, ser líder não é impossível, mas é um grande desafio para quem lida com pessoas. Definitivamente, o líder não nasce pronto. O líder torna-se líder; o líder aprende a ser líder. E você, que tal tornar-se um líder em seu grupo social? ♦

 

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