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As diversas formas de assédio moral no trabalho

21/05/2011

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 21-22/07/12, ano XIII, ed. 3397, p. A19.

O assédio moral, ou violência moral, no trabalho é caracterizado pela criação de situações de humilhação, de constrangimentos, e de atos que geram a diminuição da dignidade humana no ambiente de trabalho. Na maioria dos casos, o assédio moral, além de prejudicar certo trabalhador, causando danos à sua saúde física e/ou mental, acaba atingindo o conjunto de colegas que presenciam e percebem tal assédio. De forma simplista, pode-se afirmar ainda que o “assédio moral” é uma expressão contemporânea para a conhecida “perseguição” de superiores a subordinados, com as devidas consequências lesivas à vítima.

O assédio moral ocorre principalmente entre pessoas que se encontram hierarquicamente em níveis diferentes, como no caso de chefe e subordinado. Portanto, na quase totalidade dos casos, há uma nítida relação de poder do assediador sobre o assediado. É importante salientar que o assédio moral caracteriza-se pela repetição e constância das agressões. Logo, uma agressão ou violência isolada no ambiente de trabalho, não se caracteriza como assédio moral.

A seguir, são apresentadas algumas das principais formas de assédio moral, as quais podem acontecer em organizações privadas e públicas:

  • Desconstrução da imagem da vítima: ocorre quando o assediador denigre a imagem do assediado no ambiente de trabalho. Percebe-se isso quando o assediador continuamente fala mal de certo empregado.
  • Omissão de informações importantes: ocorre, por exemplo, quando o assediador “boicota” o assediado, não repassando informações importantes, prejudicando-o no desenvolvimento de suas atividades ou impedindo-o de usufruir de benefícios que o ambiente de trabalho poderia lhe proporcionar, caso tivesse acesso àquelas informações.
  • Ironias negativas: ocorre quando o assediador manifesta-se por meio de ironias e deboches, tentando desqualificar a pessoa do assediado, ou o seu trabalho, ou a sua imagem.
  • Insinuações depreciativas: acontece quando o superior não agride diretamente, mas usa de insinuações que atingem indiretamente a vítima, de forma negativa.
  • Uso rigoroso de leis, normas e regras contra o assediado: neste caso, prevalece o ditado popular “Para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei!”. Em outras palavras, o assediador usa o rigor das leis, normas e regras da organização, para perseguir, atingir, punir a vítima. O detalhe é que com aqueles que fazem parte do “grupinho” do assediador, há sempre o famoso “jeitinho” para resolver as situações problemáticas, flexibilizando e até não cumprindo as leis, normas e regras. Aliás, estas mesmas que são aplicadas com alto rigor ao assediado.
  • Exclusão do grupo social: ocorre quando o assediador tende a isolar socialmente o assediado, chegando, em casos extremos, a pedir aos demais colegas de trabalho que evitem relacionar-se com o assediado, constrangendo-o, prejudicando-o ou humilhando-o.
  • Exclusão de atividades e projetos: acontece quando o assediador exclui o assediado de tarefas e atividades ou projetos, prejudicando-o, seja psicologicamente ou financeiramente, no caso em que há remuneração adicional pela realização daquela atividade.
  • Uso de piadinhas e outras formas de discriminação: ocorre quando o assediado é alvo de piadinhas e demais formas de discriminação por parte do assediador, o qual, sempre que tem a oportunidade, destila o seu “veneno” contra o assediado. A expressão “Olha o veneno escorrendo pela boca!” é característica desta situação, quando alguém percebe a maldade do assediador sobre uma pessoa.
  • Gritos, exigências excessivas e cobranças em público: ocorre quando o assediador tem o comportamento doentio de gritar com a vítima, ou exige um nível de perfeição muito alto nas atividades, ou faz publicamente cobranças e reclamações sobre o trabalho feito pelo assediado, humilhando-o.
  • E outras formas de atacar e prejudicar a vítima, inclusive o assédio sexual.

Tais atos são realizados pelo assediador com o objetivo de fazer a vítima pensar que ela é o problema e forçá-la, em casos extremos, a pedir demissão. Mas o verdadeiro problema é o assediador, que é um monstro travestido de mocinho num cargo que lhe proporciona poder. Portanto, se constatado, é necessário recolher as provas adequadas do assédio e buscar a justiça, o que pode ser facilitado por meio dos sindicatos. O local de trabalho pode e deve ser um ambiente saudável de desenvolvimento pessoal e profissional, e de muito respeito! ♦

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8 Comentários leave one →
  1. alex permalink
    27/07/2011 05:47

    Muito bom artigo. Tente evitar qualquer forma de assédio em qualquer campo e no trabalho.
    Abraços!

  2. 03/09/2011 00:19

    O Assédio Moral, ao contrário do Dano Moral encontra suas raízes no assento da medicina, no campo da enfermidade, seja ela física como sinal de perigo iminente, seja psíquico, o tipo mais frequente. Também contrariando a tese do Dano Moral que se estriba na presunção, o Assédio Moral necessita ser provado, documentado, por meio de provas testemunhais, documentais, além de uma comprovação por meio de uma avaliação clínica que permitirá dar maiores subsídios sobre a proveniência do transtorno afetivo. No Assédio Moral, não existe a necessidade de que pessoas estranhas tomem conhecimento, será importante que pessoas próximas à vítima possam declarar ter presenciado, preferencialmente colegas de trabalho. E opondo-se ao Dano Moral, a dor, o sofrimento, a opressão, deverá ser provada mediante parecer, laudo, atestado médico, novamente, não será uma dor baseada na presunção.
    Tchilla Helena Candido – Autora do Livro: Assédio Moral Acidente Laboral

  3. 12/12/2011 19:59

    Obrigado pela sua participação e suas contribuições Tchilla Helena Candido. Desejo-lhe sucesso com seu livro!

    • 19/05/2012 02:45

      Geverson, quase completando um ano do lançamento do livro Assédio Moral Acidente Laboral, percebo que estamos muito distantes do reconhecimento jurídico do fenômeno em questão. Há uma distorção frequente entre Bullying e Assédio Moral, além da barreira no que toca a uma legislação específica. Creio que levará anos para que se consiga alcançar uma excelência para coibir a prática de Assédio Moral. O PL nº7.202/2010 foi “engavetado” sem uma justificativa plausível para tanto. O velho adágio…”uma andorinha não faz verão” agora me soa familiar. Abraços.

      • 21/05/2012 19:14

        Realmente cara Tchilla Helena Candido, a evolução do tratamento desse assunto pela justiça deixa muito a desejar e parece, obviamente, não existir muito interesse de políticos para estabelecer claramente o assédio moral dentro de critérios jurídicos mais claros. Resta às vítimas a coleta de provas diversas, caso contrário, a criminalização desse comportamento que pode destruir vidas continuará sendo impune. E já vi várias pessoas, até com alto nível de estudo formal, que dizem que isso sempre existiu, e insinuam que é algo normal no ambiente de trabalho. Essa forma de interpretação do problema precisa mudar. Não se pode desistir da luta, pois a causa é nobre. Abraços.

  4. Eder Silva de Paula permalink
    06/01/2012 22:09

    Muito bom artigo. Assim quem trabalha pelo certo nao precisa mais aguentar certos tipos de humilhacoes feitas por pessoas q nao tem as vezes nenhuma competencia para ocupar cargos de chefias. Só estao ali por indicacao, nao tem qualificacao alguma, e mesmo assim acham q pode humilhar todos subordinados. Sao autoritarios e abusam do poder.

    • 21/05/2012 19:06

      Sem dúvida Eder, essa prática precisa ser pelo menos reduzida, e sempre punida. Em geral, os assediadores são pessoas inseguras de sua própria competência e não deveriam sequer ser ou estar chefes, mas são ou estão. Obrigado pela participação! Até mais!

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