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A corrupção não é de partidos políticos, é de pessoas!

14/08/2011

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 16-17/06/12, ano XIII, ed. 3372, p. A19.

Tornou-se comum, lamentavelmente, vermos em noticiários os relatos sobre a ocorrência de corrupção em diversos setores da sociedade, especialmente em governos, os quais atuam na administração pública e deveriam ser os primeiros a demonstrar o compromisso com atitudes e comportamentos éticos. São tantos os casos conhecidos que a corrupção corre o risco de tornar-se banalizada, vista como algo normal no ambiente político e na sociedade, o que geraria consequências como atitudes de indiferença e falta de indignação da população em relação a esse crime.

Isso não significa, necessariamente, que hoje exista mais corrupção do que antigamente. O que ocorre é que, atualmente, temos acesso a uma série de informações que antes não tínhamos, seja em função do sistema de estado em que vivíamos, como a ditadura militar; ou por falta de leis adequadas de acesso às informações; ou ainda por que não dispúnhamos de importantes tecnologias de comunicação, como os sofisticados sistemas de informações governamentais e a internet, a qual permite a disseminação on line de informações. O fato é que este ambiente saudável de disponibilidade de informações sobre casos de corrupção nos instiga a refletir sobre quais os perfis de homens e mulheres públicos que queremos na política e na administração de organizações públicas.

Neste contexto, observa-se o “empurra-empurra” da responsabilidade e da culpa pela corrupção entre os partidos políticos. Assim, membros de um partido sempre tendem a defender seus partidos e a atacar os demais. Querem passar a imagem de que são partidos “limpos”, isentos de corrupção, perfeitos!

Sabemos que isso é mentira, enganação, discurso típico de alguns políticos! Afinal, não existem partidos políticos perfeitos! Constata-se isso na prática, no dia a dia da política e nas estatísticas sobre a corrupção. Na realidade, não existe nenhum partido imune aos possíveis comportamentos corruptos por parte de seus membros, sejam políticos, filiados, simpatizantes ou apoiadores. Isso acontece porque a corrupção não depende de partidos ou de quaisquer entidades jurídicas. A corrupção é um desvio de conduta, é um problema de comportamento humano, é fruto da fraqueza de princípios éticos e morais de pessoas.

Portanto, independentemente da sigla partidária, a corrupção pode acontecer, haja vista que os partidos políticos são formados por pessoas, milhares de pessoas. Assim, é praticamente impossível evitar que parte das pessoas ligadas aos partidos não seja corrupta. Aliás, sejamos francos, parte delas é corrupta, e estará apenas esperando a oportunidade de exercer o seu comportamento corrupto. Saliente-se, porém, que em quaisquer profissões e atividades, ou áreas de atuação humana, existem os bons e os maus. Com a política não é diferente! Logo, sempre haverão pessoas envolvidas com a política que serão fortes candidatas a serem homens e mulheres públicos corruptos. Estes podem entrar na política com intenções corruptas, ou, o seu lado corrupto adormecido pode despertar pelas oportunidades que o ambiente político proporciona.

Convém observar que as consequências deste crime – a corrupção – são desastrosas para todo o país, mas, especialmente para os mais pobres, haja vista que dependem quase que exclusivamente de serviços públicos para suprir necessidades fundamentais à vida. Muitos recursos que deveriam ser investidos em saúde, habitação, educação e segurança, para citar apenas algumas áreas, são desviados e roubados por aqueles que deveriam administrá-los de acordo com os anseios e necessidades da população.

Tais constatações nos levam a um importante questionamento: como evitar a corrupção, haja vista que é real a possibilidade de ela continuar atormentando a sociedade, independentemente de partidos políticos? Destacamos aqui três formas principais para se evitar e combater a corrupção. A primeira é promover a ética no comportamento quotidiano das pessoas. A segunda é a fiscalização rigorosa do comportamento de homens e mulheres públicos, por meio da sociedade, com a devida punição dos casos de corrupção. A terceira é a publicação detalhada e minuciosa de informações, por parte da administração pública, sobre o uso de recursos públicos. Afinal, é inconcebível que a sociedade não tenha acesso detalhado ao uso e destino de recursos públicos, os quais são frutos de impostos pagos por todos. Por fim, leis e ações que visam o combate à corrupção devem aprimorar-se sempre, inclusive com a nossa participação! ♦

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O texto abaixo é a versão inicial do texto acima, que publiquei neste blog, em 14/08/11. A versão acima foi reescrita adequando-se ao tamanho máximo do texto exigido pelo jornal. Partes foram alteradas, suprimidas e acrescentadas em relação ao texto original, que deixo registrado a seguir:

Tornou-se comum, lamentavelmente, vermos em noticiários os relatos sobre a ocorrência de corrupção em diversos setores da sociedade, especialmente em governos, estes que atuam na administração pública e deveriam ser os primeiros a demonstrar o compromisso com atitudes e comportamentos éticos. Dessa forma, a corrupção parece que está, cada vez mais, tornando-se banalizada na sociedade. As pessoas não se indignam e não se revoltam tanto como deveriam. É como se a população estivesse acostumada, e a corrupção que é descoberta, denunciada e comprovada, já não é mais algo que tem a devida atenção e forte indignação capaz de gerar reflexões sobre quais os perfis de homens e mulheres públicos que queremos na política e na administração de organizações públicas.

Neste contexto, observa-se o “empurra-empurra” da culpa e da responsabilidade pela corrupção entre partidos políticos. Assim, os membros de um partido político sempre tendem a defender seus partidos e a atacar os demais partidos, querendo passar a imagem de que são partidos “limpos”, isentos de corrupção, ou seja, perfeitos! Isso é mentira e enganação, puro discurso! Não existem partidos políticos perfeitos! Constatamos isso na prática, no dia a dia da política.

De fato, a grande verdade é que não existe nenhum partido isento da possibilidade de comportamentos corruptos por parte de seus membros, sejam políticos, filiados ou seus apoiadores. Neste sentido, é importante destacar que a corrupção não depende de partidos ou de quaisquer entidades jurídicas. A corrupção é um desvio de conduta, é um problema comportamental, é fruto da fraqueza de princípios éticos e morais de pessoas. Portanto, independentemente de partidos, a corrupção pode acontecer, haja vista que os partidos políticos são formados por pessoas, e são milhares de pessoas, sendo praticamente impossível admitir que parte das pessoas ligadas aos partidos não será corrupta. Muitas, aliás, estarão apenas esperando a oportunidade de exercer o seu comportamento corrupto.

Saliente-se ainda que em quaisquer profissões e atividades, ou áreas de atuação humana, existem os bons e os maus. Com a política não é diferente! Logo, sempre haverão pessoas envolvidas com a política que serão fortes candidatas a serem homens e mulheres públicos corruptos. Estes podem entrar na política com intenções corruptas, ou, o seu lado corrupto adormecido pode despertar pelas oportunidades que o ambiente político proporciona.

Convém observar que as conseqüências deste crime denominado “corrupção” são desastrosas para todo o país, mas, especialmente para os mais pobres, haja vista que dependem quase que exclusivamente de serviços públicos para suprir necessidades fundamentais à vida. Muitos recursos que deveriam ser investidos em educação, saúde, habitação e segurança, para citar apenas algumas áreas, são desviados e roubados por aqueles que deveriam administrá-los de acordo com os anseios da população.

Tais constatações nos levam a um importante questionamento: como evitar a corrupção, haja vista que é real a possibilidade de ela continuar atormentando a sociedade, independentemente de partidos políticos? Destacamos aqui três formas principais para se evitar e combater a corrupção.

A primeira é promover a ética na sociedade, por diversos meios – família, escola, igrejas e outras organizações sociais que participamos -, haja vista que os comportamentos não éticos e corruptos estão presentes nas ações de muitas pessoas comuns. Aliás, muitas vezes as mesmas que criticam a corrupção praticada pelos políticos. Assim, se pessoas comuns são praticantes de suborno, se pessoas comuns enganam os demais, se pessoas comuns furam filas, se pessoas comuns se apropriam de algo que não lhes pertence, se pessoas comuns vendem-se por dinheiro, se pessoas comuns burlam as leis e regras da sociedade, enfim, se pessoas comuns, sempre que podem, estão dispostas a levar vantagem em tudo, como poderão, então, exigir o comportamento ético, e, consequentemente, não corrupto dos políticos?

A segunda forma de evitar a corrupção é a fiscalização rigorosa do comportamento de homens e mulheres públicos por meio da sociedade, ou seja, das pessoas e das organizações (privadas, públicas, jurídicas, etc.). Esta fiscalização não pode parar! As pessoas não podem simplesmente depositar seus votos nas urnas e esquecer a vida política pelos próximos quatro anos ou mais. O exercício da fiscalização e da crítica ao comportamento de homens e mulheres públicos é fundamental para a democracia, haja vista o seu poder de inibir a corrupção e estimular um comportamento político mais ético.

A terceira forma de evitar a corrupção é a criação de adequados e minuciosos sistemas de controle de uso de recursos públicos por parte da administração pública. Assim, todo investimento ou gasto público deve ser rigorosamente controlado e registrado de forma detalhada (quanto se arrecada? quanto tem de recursos? em que foi gasto? quando? quanto? e por quem foi gasto? como e porque foi gasto desta forma?). Afinal, é inconcebível que a sociedade não tenha acesso detalhado ao uso ou destino dos recursos públicos, os quais são fruto de impostos pagos por todos nós.

Evidentemente que esta terceira forma de controle do dinheiro e demais recursos públicos depende da boa vontade dos políticos de querer tornar público e transparente, e de forma detalhada, o uso de recursos públicos. Se não é transparente, detalhado e disponível à população, é um sinal de que algo pode estar sendo feito com os recursos públicos que os políticos não querem que a sociedade saiba. Portanto, homens e mulheres públicos, ao não disponibilizar tais informações, ou são corruptos, ou facilitam a ocorrência da corrupção! Se não há corrupção, não há motivo para esconder as informações!

E se todos nós somos prejudicados pela corrupção, todos nós estamos convocados a lutar, incansavelmente, por organizações públicas com sistemas de informações transparentes à sociedade, por homens e mulheres públicos éticos e não corruptos, por uma sociedade mais comprometida com comportamentos que levem em consideração o outro, que levem em consideração a coletividade, especialmente os mais pobres! É nosso dever, como cidadãos, fazer algo para combater a corrupção e punir os corruptos! É nosso dever promover uma sociedade melhor, para nós e para as futuras gerações!

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Corrupto   cor.rup.to  adj (lat corruptu) 

1 Que sofreu corrupção; corrompido, infeccionado, podre. 2 Adulterado. 3 Errado, viciado (linguagem ou palavra, fônica ou graficamente consideradas). 4 Depravado, devasso, pervertido. 5 Que prevarica, que se deixa subornar. Antôn (acepções 1, 2, 4 e 5): incorrupto. Var: corruto. (Fonte: Dicionário Michaelis)

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6 Comentários leave one →
  1. Paula permalink
    14/08/2011 22:25

    Olá,
    Gostaria de dizer uma coisa … Quem não segue a linha como é feita , perde o “Gato”. Não é porque fulanos não queiram ser “puros” mas forças maiores o forçam a seguir o que de fato já vem no “rio” … rio este que esconde coisas igual um tapete mas este tapete fica num lugar fechado a sete chaves e coberto de faces cínicas e angélicas ….

    • 15/08/2011 01:08

      Compreendo a sua opinião Paula e concordo que muitos simplesmente se adaptam ao sistema corrupto já existente. Entretanto, podemos questionar: será que é realmente impossível atuar de forma não corrupta, por mais que o ambiente político esteja, de fato, manchado pela corrupção? Será que todo político ou pessoa pública está condenado a ter um comportamento corrupto por “forças maiores” das circunstâncias existentes? Eu ainda acredito que não são todos corruptos e que é possível ser ético e correto no ambiente político. Penso que estas pessoas que simplesmente se adaptam ao sistema corrupto vigente já possuíam uma certa predisposição para a corrupção, uma certa fraqueza de caráter, antes de se tornarem homens e mulheres públicos, e, claro, no ambiente político encontraram a oportunidade de exercer o seu desvio de conduta.

  2. Paula permalink
    15/08/2011 20:02

    Você fala assim porque não presenciou, não viveu … eu sei bem o que falo e eu sei bem o que “esses poderosos” fazem …. e minha vontade era enviar todos para a outra dimensão.

    • 15/08/2011 22:58

      Bom Paula, realmente eu nunca fui político eleito. Mas na administração de organizações públicas eu sei como eles agem, sei que são cruéis e são capazes de tudo para prejudicar seus desafetos, e como você disse, com “faces cínicas e angélicas”. Já atuei e atuo em organizações públicas e o jogo é realmente muito pesado para com aqueles que não se aliam ao poder estabelecido. Só sabe quem é vítima do comportamento sutil e monstruoso dos poderosos. Mas tais consequências (que são pesadas e covardes!) não foram suficientes para que eu me corrompesse e me tornasse um deles!

  3. 15/08/2012 17:39

    eu gostei muito eu estou fazendo uma atividade sobre isso.

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