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A necessidade da participação popular organizada na sociedade

06/10/2011

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 04-05/08/12, ano XIII, ed. 3407, p. A18.

A política é um tema tão importante na vida de todos os cidadãos, que mesmo quando o cidadão afirma não gostar de política, ele acaba, inevitavelmente, pensando e falando sobre política. Quando se reclama da saúde pública, da segurança pública, do transporte, do atendimento de servidores em organizações públicas, dos preços altos de bens e produtos e seus impostos, das ruas mal cuidadas, do dinheiro público que não se sabe para onde vai, do desemprego, da falta de vagas em escolas e universidades, enfim, quase tudo na sociedade, por mais que não se perceba, é consequência da política.

A questão é que as nossas reclamações individuais e isoladas num certo grupo social, como a família e os amigos, são uma espécie de válvula de escape à nossa desaprovação do comportamento de políticos. Dessa forma, falamos, soltamos o verbo, criticamos, citamos fatos que a imprensa noticiou e condenamos o sistema político e os políticos. Estes, inclusive, são agraciados com diversos predicados: corruptos, bandidos, ladrões, canalhas, vagabundos, sugadores do dinheiro público, etc. E isso nos basta, pois já descarregamos as nossas frustrações. Em seguida, retornamos à nossa vida e à rotina quotidiana. Afinal, a vida continua!

Mas este comportamento crítico isolado é suficiente para que possamos influenciar e mudar o tão criticado desempenho de políticos ou o sistema político?

A resposta é não! Quando reclamamos isoladamente enquanto pessoas num grupo social qualquer, somos apenas mais uma pessoa emitindo opiniões. Ao acabar aquela reunião, cada um retorna à sua vida e as opiniões expressas, ainda que importantes, ficam apenas na cabeça daquelas pessoas. A discussão serviu de aprendizado, de socialização de ideias, mas nada disso vai influenciar os políticos, porque nada dessa discussão chegará ao conhecimento deles, e mesmo que chegue, para muitos políticos, será apenas mais um conjunto de reclamações “sem sentido” de alguns cidadãos isolados, muitas vezes considerados oposicionistas, que “só criticam e reclamam de tudo”.

O exposto acima nos alerta para algo importante. É necessário participarmos de organizações e instituições formais e estruturadas para que possamos observar e fiscalizar o trabalho dos políticos; para que possamos reivindicar direitos, interferir no comportamento de homens e mulheres públicos e pressioná-los a atuar dentro de princípios éticos e legais, em prol dos reais anseios da população.

Mas que tipos de organizações ou instituições são essas? Estamos falando de organizações sociais como sindicatos, associações de bairros ou de moradores, associações de aposentados, associações empresariais urbanas e rurais, movimentos sociais ou associações de mulheres, de negros, de estudantes, e outras organizações ou instituições coletivas, tais como observatórios sociais e conselhos populares. Enfim, é um conjunto de entidades da sociedade civil organizada.

A participação popular nessas organizações é importante porque a organização coletiva formalizada e, desta forma, reconhecida pela sociedade civil e órgãos públicos, tem o poder de dar legitimidade às reclamações da população. Em outras palavras, uma pessoa sozinha que reclama ou reivindica algo é, na maioria dos casos, apenas um cidadão isolado e, muitas vezes, sem forças. Já quando se trata de uma organização popular que representa dezenas, centenas ou milhares de pessoas, a reclamação ou a reivindicação terá credibilidade e legitimidade perante os políticos e a sociedade.

Entretanto, é importante que estas organizações mantenham a independência de partidos e de políticos. Caso contrário, podem ser usadas para se fazer politicagem em benefício de algum grupo político, disfarçadas de organizações isentas e apartidárias. Se isso acontecer, ela seguramente perderá a credibilidade perante a sociedade. Esta não pode ser enganada.

Portanto, os cidadãos e cidadãs adquirem poder quando participam de organizações coletivas. E esse poder aumenta quando várias dessas organizações ou instituições agem em conjunto. Enfim, a participação popular de forma organizada e inteligente, por meio de instituições e organizações sociais, é fundamental para se manter e aprimorar a democracia. ♦

Não foi possível o acesso à imagem.

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O texto abaixo é a versão inicial do texto acima, que publiquei neste blog, em 06/10/11. A versão acima foi reescrita adequando-se ao tamanho máximo do texto exigido pelo jornal. Partes foram alteradas, suprimidas e acrescentadas em relação ao texto original, que deixo registrado a seguir:

É fácil reclamar do sistema político e da atuação dos políticos que nós mesmos elegemos, especialmente quando estamos sentados confortavelmente nos sofás de nossas casas, ou numa conversa entre amigos, ou no ambiente de trabalho, ou nas redes sociais da internet as quais participamos, enfim, em quaisquer lugares e momentos encontramos espaço para expor as nossas frustrações em relação à política a qual somos submetidos. Difícil mesmo é fazermos algo de concreto – com ações e comportamentos – para mudar essa realidade.

O que parece é que as reclamações individuais e isoladas num certo grupo social são como uma espécie de válvula de escape para a nossa desaprovação do comportamento dos políticos. Assim, falamos, soltamos o verbo, criticamos, citamos fatos que a imprensa noticiou e condenamos todo o sistema político, e, principalmente, aqueles que elegemos como nossos representantes políticos (estes são agraciados com diversos predicados: corruptos, bandidos, ladrões, canalhas, vagabundos, sugadores do dinheiro público, etc.). E isso nos basta, pois descarregamos as nossas frustrações, e, em seguida, retornamos à nossa vida, à nossa querida rotina quotidiana! Afinal, a vida continua!

Muito bem! Legal! Mas vamos refletir por meio de um questionamento simples e importante: este nosso comportamento é suficiente para que possamos influenciar e mudar o tão criticado comportamento de políticos ou o sistema político que temos?

Não. Com toda a certeza, a resposta é não! Vejamos porque: quando reclamamos isoladamente enquanto pessoas num grupo social qualquer, somos apenas mais uma pessoa emitindo opiniões. Ao acabar aquela reunião, cada um retorna à sua vida e as opiniões expressas, ainda que importantes, ficam apenas na cabeça dessas pessoas. A discussão serviu de aprendizado, de socialização de idéias, mas nada disso vai influenciar os políticos, porque nada dessa discussão chegará ao conhecimento deles, e mesmo que chegue, para muitos políticos, será apenas mais um conjunto de reclamações “sem sentido” de alguns cidadãos isolados e considerados oposicionistas que “só criticam e reclamam de tudo”.

O exposto acima nos alerta para algo muito importante. Precisamos participar de organizações e instituições formais e estruturadas para que possamos fiscalizar o trabalho dos políticos, para que possamos interferir no comportamento deles e pressioná-los a trabalhar em prol dos reais anseios da população. Mas que tipos de organizações ou instituições são essas? Estamos falando de organizações sociais como sindicatos, associações de bairros, associações de moradores, associações de aposentados, associações empresariais urbanas e rurais, organizações religiosas, movimentos sociais ou associações de mulheres, de negros, de estudantes, e outras organizações ou instituições coletivas.

A participação popular nessas organizações é importante porque a organização coletiva tem o poder de dar legitimidade às reclamações da população. Assim, uma pessoa sozinha que reclama ou reivindica algo é apenas um cidadão isolado e, muitas vezes, sem forças. Claro que, dependendo da situação, um cidadão sozinho pode obter sucesso em suas reivindicações e interesses, mas é sempre mais difícil lutar sozinho do que em grupo. Já quando se trata de uma organização popular que representa dezenas, centenas ou milhares de pessoas, a reclamação ou a reivindicação terá a credibilidade e a legitimidade perante os políticos e toda a sociedade. Afinal, não é uma pessoa reivindicando algo, é uma organização formal a qual representa um grupo de pessoas, uma coletividade. Tal organização se fundamenta no conhecido principio: “a união faz a força”. Em outras palavras, isolados, sozinhos, somos frágeis; juntos, numa organização formalizada, somos fortes!

Portanto, nós nos tornamos fortes quando participamos de uma organização coletiva. E podemos ser mais fortes ainda se unirmos diversas organizações sociais ou instituições na luta por nossas reivindicações. Por exemplo, poderão se unir associações de bairros, mais sindicatos, mais associações de aposentados, e mais movimentos sociais para lutarem pelo alcance de um objetivo comum para o conjunto de pessoas que representam e à sociedade. Só com a atuação organizada e inteligente da população, os políticos serão pressionados a se comportarem de maneira mais ética e de acordo com as necessidades da sociedade.

Os políticos fazem o que querem, quando e como querem justamente porque nós – cidadãos – somos acanhados, passivos, indiferentes, apáticos, e inertes em relação à vida política, especialmente em nossa cidade, onde tudo acontece muito perto de nós. É necessário que mudemos esta situação. Precisamos nos organizar, precisamos participar de organizações e instituições coletivas! E isto pode ser feito por meio de nossa atuação em organizações existentes ou mesmo da criação de outras organizações formais que reúnam pessoas com interesses comuns. Apesar da correria que a vida nos impõe, temos que fazer esforços e encontrar um pouco de tempo para exercermos essa atividade tão necessária à democracia: a participação em organizações e instituições coletivas. Reclamar dos políticos sem fazer algo de concreto, sem ações para promover as mudanças, não adianta muita coisa.

E muitas pessoas pensam que não se pode mudar nada, que o sistema está aí e não se pode alterá-lo. É exatamente isso que muitos políticos querem que pensemos. Eles querem nos fazer acreditar que não temos alternativa, que as coisas são assim como se apresentam, que não temos poder para interferir em nada, querem que pensemos – erroneamente – que a nossa única função no processo democrático é votar e deixar que eles “trabalhem”, sem fiscalizá-los, sem “incomodá-los”, sem interferir em sua “impecável” e “imaculada” atuação. Não podemos cair nesta conversa. Não podemos ser tão ingênuos assim. Temos poder sim, mas para exercermos este poder, além do voto, temos que atuar em organizações.

E quando estas organizações estiverem atuando e obtendo resultados por meio da pressão popular no ambiente político, os políticos tentarão tomar o controle destas organizações e instituições. Tentarão colocar nestas organizações pessoas de suas confianças e que possam atuar, mesmo que sutilmente, a favor de seus interesses. Por isso, a população deve estar atenta. É importante que estas organizações coletivas mantenham certa independência de partidos e de políticos. Caso contrário, a organização social pode ser utilizada para se fazer politicagem em prol de algum grupo político, e, neste caso, ela poderá perder a credibilidade perante a sociedade. Não está se afirmando que uma organização social não possa declarar apoio a candidatos ou políticos em certas circunstâncias, mas este apoio deve ser publicamente expresso, de forma clara e transparente, bem como os seus reais motivos.

Espera-se que este texto tenha evidenciado a necessidade de as pessoas (e até empresas) se organizarem formalmente por meio de associações, instituições e outras organizações coletivas para que possam obter melhores resultados em suas reivindicações. A participação, por meio de organizações formalizadas, gera a credibilidade e a legitimação necessária para que as reclamações e reivindicações da sociedade sejam levadas a sério por aqueles que detêm o poder, ainda que temporariamente, como os políticos, sobre a sociedade. Logo, organizações e instituições fortes e atuantes são indispensáveis numa democracia! ♦

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