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Cuidado com posturas radicais e extremadas

16/11/2011

Todos já presenciamos pessoas que expressam pensamentos radicais e extremos em relação a diversos assuntos. Por exemplo, vemos pessoas afirmarem que: “para resolver o problema de políticos corruptos é só colocar uma bomba no congresso e explodir tudo”, “para resolver os problemas de crimes na sociedade a solução é a pena de morte” ou “prender os bandidos e privá-los de quaisquer direitos na cadeia” e ainda há aqueles que afirmam que se fossem vítimas de certos crimes, fariam a “justiça com as próprias mãos”. Estes pensamentos radicais são alguns dos mais preocupantes, pois supõem ações em desacordo com a Constituição, a qual estabelece, dentre outros, os princípios de justiça de nossa sociedade.

No entanto, enquanto tais posturas estiverem apenas na cabeça de alguns indivíduos, parece que as coisas estão, ainda, sob controle, parece! O problema surgirá quando comportamentos extremados oriundos desses pensamentos vierem a se realizar. Aqui é importante destacar o papel de influência das pessoas em seu grupo social (amizades, família, escola, igreja, ambiente de trabalho, etc.) e a conseqüente disseminação desses radicalismos perniciosos. Pode ocorrer que a pessoa que expressa tais posturas extremadas saiba muito bem os limites entre a manifestação do pensamento e a sua concretização ou realização por meio de comportamentos. Mas quem garante que outras pessoas terão o mesmo “bom-senso”? Até que ponto pode-se ter a certeza de que pessoas com pensamentos radicais e extremados não irão, em algum momento, por em prática seus pensamentos?

Neste momento percebemos o quanto temos que tomar cuidado com eventuais atitudes radicais e extremadas. Acreditemos ou não, as nossas opiniões, as nossas formas de ver e interpretar o mundo, as nossas análises e “receitas” que expressamos de “como resolver” os problemas do mundo influenciam parte das pessoas as quais tem acesso às nossas considerações. Isto é muito sério. Todos nós temos responsabilidade por aquilo que falamos, que escrevemos, que defendemos e também por aquilo que as pessoas entendem do que expressamos, afinal, podemos não estar nos comunicando adequadamente. Por isso, devemos analisar sempre se vale a pena expressar posturas radicais. É certo que ninguém é perfeito, mas é possível que nos policiemos em relação a isso. Afinal, temos nossa responsabilidade com o outro, com aqueles que têm contato com o que comunicamos, com as pessoas as quais nos relacionamos.

Outras formas de pensamentos radicais e extremados são percebidas quando as pessoas tendem a cometer o grande erro da generalização: “ninguém presta”, “está tudo errado”, “absolutamente nada funciona neste país”, “são todos(as) iguais”, “todos os políticos são bandidos”, “o povo é alienado e não sabe votar de forma consciente”, “os ricos são todos desonestos” dentre inúmeros outros exemplos. Mais uma vez nos vemos diante de afirmações muito simplistas e que não dão margem para o diferente, para outras possibilidades. Assim, a generalização é cruel pelo fato de condenar tudo ou todos a uma afirmação que talvez sirva apenas para parte desse “tudo” ou “todos”. É necessário prudência, pois não se pode julgar o todo por uma parte e nem uma parte pelo todo!

Logo, é importante que sejamos mais flexíveis em nossas análises, que admitamos a diversidade de coisas e de pessoas, de ações e comportamentos, de pensamentos. A padronização não é a regra no mundo, pelo contrário, a diversidade é a regra, então, como podemos julgar tudo e todos da mesma maneira? De forma análoga, como podemos deixar a civilidade, as leis e toda a organização da sociedade de lado e querer fazer a nossa própria “justiça” diante das mais variadas situações, como citamos nos primeiros parágrafos deste texto? Portanto, tomemos cuidado com pensamentos, manifestações e comportamentos radicais e extremados, nossos ou de outros. A nossa liberdade de expressão não nos exime de ter prudência e cuidado com aquilo que expressamos, com aquilo que tornamos público.

PDF: Cuidado_com_posturas_radicais_e_extremadas.pdf

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2 Comentários leave one →
  1. 16/11/2011 16:49

    É verdade o radicalismo muitas vezes é muito evidenciado.Mas acho que muitos falam esses radicalismos muitas vezes quando estão bravos com alguma coisa.Porém, em seu juizo normal acho que todo mundo tem sentimentos e sabe quando errou.Cada um tem um temperamento, mas a grande maioria das pessoas são pessoas boas, e de vez em quando podem ter esses pensamentos.O importante como você mesmo disse, é não deixar que o que sai da boca pra fora muitas vezes vire realidade.

    • 16/11/2011 22:50

      Concordo com você, pois muitas vezes os radicalismos são expressos em momentos de grande indignação. Mesmo assim, temos que analisar se vale a pena expressá-los e torná-los públicos e as consequências disso, ou seja, até que ponto isso resolve o problema? Não estaríamos apenas contribuindo para manter uma cultura de posturas radicais e extremadas (correndo o risco de alguém torná-las realidade), sem analisar com profundidade os assuntos e questões? Desta forma, parece que os posicionamentos radicais são uma forma de fuga diante da falta de entendimento da complexidade de certos assuntos, ou seja, se eu não os entendo, uso soluções ou argumentos simplistas e limitados.

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