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O consumismo que nos consome a cada dia

09/01/2012

“Comprar, comprar, comprar!” Este talvez seja o slogan mais adequado para a sociedade consumista do nosso tempo. Não basta ter roupas, tem que ter roupas novas e variadas, de preferência aquelas da moda; não basta ter carro, tem que ter um carro novo ou semi-novo; não basta ter uma casa ou apartamento, tem que ter a melhor e mais bonita casa ou o melhor apartamento; não basta ter computador, tem que ter o melhor computador. E se não pode pagar a conta à vista, compra a prazo, no cartão de crédito, faz dívidas! E nessa lógica as pessoas continuam a comprar os mais diversos bens patrimoniais ou de consumo, produtos, mercadorias e serviços que o mundo pode lhes proporcionar!

Questiona-se: porque tanta necessidade de comprar? A sociedade foi vencida pelo tal “materialismo”? Pela simples posse de patrimônio, bens e mercadorias? Porque parte das pessoas fazem de tudo (tudo mesmo!) para ter mais e mais dinheiro e poder comprar mais?

São questões importantes que, para muitos, a resposta seria simplesmente que “as pessoas estão tornando-se cada vez mais materialistas”. Este “materialismo” estaria associado ao fato de as pessoas quererem, cada vez mais, a posse de bens e produtos. Mas não é tão simples assim, ou seja, o simples prazer da posse e acumulação de bens das mais diversas naturezas não pode ser a explicação adequada para o ato de comprar cada vez mais, e cada vez mais querer comprar!

Neste contexto mercantilista, convém observar que um dos primeiros ensinamentos transmitidos aos estudantes de administração de marketing e áreas de conhecimentos afins é que as pessoas não compram produtos e serviços, ou outros bens quaisquer, pelo simples prazer da posse e acumulação. As pessoas compram, sim, porque aqueles bens, produtos ou serviços geram a satisfação de suas necessidades! Logo, as pessoas precisam de produtos e mercadorias e outros bens porque aqueles bens significam algo psicologicamente importante para elas. Fato!

Vejamos alguns exemplos. Quando uma pessoa compra um carro, este carro pode estar suprindo a necessidade real de transporte, seja para os momentos de lazer, como ir a algum lugar com a família ou para essa pessoa ir até o local de trabalho. Mas pode suprir outras necessidades – psicológicas – como a necessidade de status no seu grupo social, ou a sua necessidade de sentir-se realizado como ser humano (um vitorioso!), porque conseguiu comprar algo que poucos têm acesso na sociedade, e estes poucos podem ser considerados especiais, vencedores! Ou, se essa pessoa for homem, apenas a título de exemplo, pode significar a “grande arma de sedução” dele para com parte das mulheres!

Outro exemplo: as roupas que vestimos têm funções básicas como cobrir e proteger o corpo. Para isso, quase que quaisquer tipos de roupas seriam suficientes. Mas não se trata apenas disso, haja vista que vivemos numa sociedade em que a aparência (aquilo que se vê) realmente é considerada importante, queiramos ou não. E este fato leva as pessoas a sentirem a necessidade de estar com a aparência “adequada” ao mundo que os olha. Então, a roupa, além de cobrir e proteger o corpo, deve satisfazer também outras necessidades. Para uma mulher solteira, por exemplo, a roupa pode torná-la mais “apresentável” ou mais “bonita” para os seus pretendentes ou para aqueles próximos a ela. Desta forma, a roupa também serve para melhorar a auto-estima das pessoas, especialmente aquelas que se preocupam em se adequar aos padrões de beleza ou aparência, como a moda, ditados pela mídia (revistas, TV, jornais, etc.) da sociedade de consumo.

De forma semelhante, o conjunto de serviços de academias de musculação, e diversos outros tipos de serviços, supre, de fato, a satisfação da necessidade de se manter o corpo mais saudável, contribuindo com isso para o bem-estar físico e mental das pessoas. Mas também supre a necessidade de se adaptar aos padrões da ditadura da beleza e suas implicações decorrentes. E, saliente-se, muitas pessoas só vão às academias por causa deste último motivo: melhorar a sua auto-estima destruída pelos padrões de beleza que a mídia joga na sua cara todos os dias! E assim acontece com inúmeros outros bens, produtos e serviços que as pessoas consomem.

Portanto, o que as pessoas compram não suprem apenas necessidades de sobrevivência. Grande parte das compras é motivada por necessidades psicológicas, como o desejo de pertencer a um grupo social, o desejo de ser percebido, o desejo de ser reconhecido, o desejo de ser admirado e valorizado no ambiente sócio-cultural que o indivíduo está inserido, o desejo de ser, no mínimo, igual aos outros, e não menos!

Evidencia-se, portanto, que as pessoas possuem carências psicológicas, e estas, muitas vezes, condicionam, e em alguns casos, determinam, o que os indivíduos compram e consomem. Observe-se que na maioria dos casos, não basta comprar ou consumir, é necessário mostrar à sociedade ou ao seu grupo social o que comprou e consumiu. Logo, comprar ou consumir não é tão importante como tornar público o que a pessoa compra e consome! Afinal, que graça tem comprar um carro novo e não mostrá-lo ao mundo, não é mesmo? Que graça tem viajar, perto ou longe, dentro do país ou no exterior, ou ir à praia nas férias, e não alardear esse fato para que todos saibam?

Dessa forma, muitas pessoas tendem a viver em uma espécie de competição social materialista, na qual quem tem mais ou parece ter mais é o grande campeão. Não basta estar vivo e viver a vida, é necessário a posse de coisas, mesmo que isso exija trabalhar nos períodos da manhã, tarde e noite, mesmo que sua qualidade de vida seja péssima. O que realmente importa é manter os padrões de consumo de bens, produtos e serviços que os tornam “valorizados” aos olhos das demais pessoas na sociedade consumista. E aonde isso leva as pessoas? Será que a expressão “vencer na vida” é algo tão superficial? Aliás, será que precisamos realmente “vencer” algo? Quem colocou isso em nossa cabeça? Porque “vencer na vida” e não simplesmente “viver a vida”?

É importante refletirmos sobre as nossas reais necessidades de comprar e ter coisas. Em outras palavras, precisamos nos questionar: “Estou comprando porque é necessário para mim, porque é importante para mim, ou estou comprando apenas porque a mídia diz que tenho que comprar?”, “É a minha vontade e meus desejos que estou satisfazendo ou estou comprando apenas porque o mercado diz que tenho que comprar?”, “O que estou comprando é realmente necessário ou só estou comprando porque os outros também estão comprando e eu não posso ficar atrás deles nessa competição?”, “Tenho realmente a necessidade deste bem, produto ou serviço?”, “E se eu não comprar este produto, quais as conseqüências? Perco alguma coisa?”, “Serei menos gente por não comprar este produto?”.

Estes são alguns questionamentos que nos fazem pensar sobre o consumismo nosso de cada dia. É lógico que precisamos comprar diversos bens, produtos e serviços para termos um nível razoável de qualidade de vida. Mas tomemos um grande cuidado com os excessos! O consumismo pode nos tornar pessoas vazias por dentro, e, curiosamente, este vazio só será preenchido por coisas externas, como novos bens, produtos e serviços, e assim acabamos comprando ainda mais. Tornamo-nos escravos do “ter”: “só quando eu tiver algo, então serei alguém”. Mas, será mesmo que para “ser” é preciso “ter”? Será mesmo que estamos condenados a viver para ter cada vez mais? Será mesmo que a vida se resume a acumulação de bens, produtos e dinheiro? Será mesmo que dependemos tanto de coisas materiais – frias, superficiais, descartáveis – para podermos dizer: “eu sou feliz!”?

Este é apenas mais um texto, dentre muitos, que nos alertam para o consumismo descontrolado do qual podemos vir a ser vítimas (se já não somos!). Mas chega de blá-blá-blá, e vamos trabalhar para ganhar mais dinheiro e comprar mais coisas que nos fazem “seres humanos completos e felizes”! Ok?

PDF: O_consumismo_que_nos_consome_a_cada_dia.pdf

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One Comment leave one →
  1. Kevin Viegas Maxaieie permalink
    19/12/2014 15:33

    Gostei muito deste posts, é um dos melhores q ja li.
    So PRA ver o quanto o mundo ta dominado port consumismo ninguem comentou, out seja, nao acharam intereçante

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