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Além de objetivos ou propostas genéricas, queremos metas, caros candidatos

26/08/2012

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 25-26/08/12, ano XIII, ed. 3422, p. A18.

O que caracteriza a administração de organizações públicas e privadas é a existência de objetivos a serem alcançados. No caso de organizações públicas, inclusive os governos federal, estadual e municipal, o foco dos objetivos deve ser a sociedade, a qual é composta primordialmente por pessoas, que são também eleitores. Assim, não é por acaso que as propostas ou objetivos de candidatos soam como música agradável aos nossos ouvidos em épocas de eleições. A impressão que se tem é que todos os nossos problemas serão resolvidos.

Na realidade, os políticos sabem que a esperança dos cidadãos é revigorada em períodos eleitorais, ainda que o desinteresse ou a indiferença pela política sejam grandes. Então, frases de efeito, discursos muito bem preparados, imagens e programas de rádio e TV tecnicamente impecáveis, bonitos e agradáveis, e até a postura física e formas de se expressar de candidatos são usados para persuadir os eleitores. E não poderia ser diferente, afinal, é importante conquistar os eleitores por meio de todos os sentidos possíveis para se vencer uma eleição. Este é o trabalho dos marqueteiros.

Entretanto, apesar de todas essas estratégias, diga-se, muito bem arquitetadas para tentar fisgar os eleitores, são os objetivos ou, como se tornou comum denominar em política, as propostas dos candidatos que tem importância fundamental na conquista de eleitores. São as propostas ou objetivos que nos informam o que os candidatos, se eleitos, pretendem fazer ou realizar em cada grande área da vida em sociedade, como saúde, educação, segurança, lazer, dentre outras. E tais propostas são muito bem-vindas e necessárias.

Porém, percebe-se que a quase totalidade das propostas ou objetivos dos candidatos são genéricas e não trazem consigo as devidas metas ou ações específicas para o alcance daquele objetivo ou proposta. Isso é um grande problema para o eleitor, haja vista que muitos dos objetivos que são apresentados são meras repetições de propostas de outras eleições. Já viraram clichês há décadas, talvez séculos, em sociedades democráticas!

Exemplos de propostas: “vamos valorizar a educação”, “vamos melhorar a remuneração dos servidores públicos”, “vamos lutar para trazer mais indústrias”, “vamos melhorar o atendimento na saúde”, “vamos incentivar o esporte”, “vamos ouvir a população”, “vamos gerar mais empregos”, e, assim, sucessivamente. Enfim, em cada área são apresentadas diversas propostas. Só que estas propostas não querem dizer muita coisa! São meros objetivos genéricos. Não nos informam como, onde, quando, quanto, e em que medida se atingirão tais objetivos. Neste momento, percebemos a importância das metas.

Para o senso comum, ou seja, na percepção das pessoas em geral, objetivos e metas são considerados, muitas vezes, como sinônimos. Mas não são. Tecnicamente, em administração, são conceitos diferentes, ainda que conexos. O objetivo é um resultado a se alcançar, serve como foco para os esforços e uso eficiente de recursos. O objetivo proporciona um senso de direção, definindo claramente o que será feito ou realizado. Observe-se que pode existir a hierarquia de objetivos, ou seja, pode-se ter um objetivo maior, amplo, e objetivos menores dentro desse grande objetivo. Já a meta, por sua vez, é a quantificação do objetivo. As metas são caracterizadas pela definição de quantidades e tempos a serem atingidos. Podem existir várias metas para se alcançar um objetivo. As metas são a mensuração dos objetivos.

A principal utilidade das metas é proporcionar o controle sobre a consecução de objetivos. Logo, só poderemos controlar a realização das “promessas” dos candidatos quando nos forem apresentados os objetivos ou propostas acompanhados das devidas metas. Reiteramos que as propostas dos candidatos são consideradas genéricas ou vagas quando não apresentam ações específicas e metas a serem cumpridas. Vamos analisar um exemplo: a proposta “melhorar a remuneração dos servidores públicos” é um objetivo genérico, pois não informa como se vai melhorar a remuneração; quando; serão criados benefícios sociais aos servidores como vale-refeição ou outro; e qual o percentual ou valor a ser “melhorado” no salário.

Portanto, para cada objetivo ou proposta, deveria existir um plano de ação detalhado sobre como se realizará tal objetivo. Quando não se tem objetivos com as devidas metas, quaisquer resultados serão suficientes, e os eleitores terão dificuldades em controlar as ações dos governantes. Necessitamos de objetivos ou propostas, sim, mas acompanhados de metas! ♦

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