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Esperanças renovadas com o fim do período eleitoral

06/10/2012

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 06-07/10/12, ano XIII, ed. 3451, p. A20.

Ainda que muitas pessoas se definam apolíticas, algumas digam que não gostam de política, e outras se mostrem desacreditadas com a política e os políticos, o fato é que, até para estas pessoas, além daquelas que gostam e se envolvem, a campanha eleitoral tem uma função muito especial: renovar as esperanças de uma vida melhor para todos. O período eleitoral nos faz pensar sobre que tipo de sociedade que temos, e, principalmente, qual o tipo de sociedade que queremos.

Os candidatos e seus grupos políticos fazem diagnósticos da cidade, identificam seus pontos fortes e pontos fracos, e, especialmente com base em suas potencialidades, criam as propostas de melhorias, e apresentam uma espécie de visão de futuro para a cidade. No fundo, ao fazerem isso, não estão lidando apenas com os aspectos geográficos e estruturais ou materiais da cidade; estão, sim, lidando com as esperanças da população. Estão gerando expectativas, estão socializando sonhos, estão apresentando mudanças para a vida das pessoas.

E isto é muito sério. Portanto, independentemente do grupo político ou partido vencedor da eleição, a responsabilidade é muito grande. Não importa se o candidato eleito é jovem e inexperiente, ou atua na política há muito tempo, ou é um novo nome no cenário político da cidade. A realidade é que propostas foram feitas. Discursos inflamados foram expressos. Corações e mentes foram tocados. E cidadãos foram despertados para a possibilidade de um futuro melhor. E nós esperaremos ansiosos por esse futuro melhor!

Nesse contexto, um dos fatores mais importantes para a decisão sobre o voto é a análise e aceitação de propostas dos candidatos, mesmo que muitos eleitores não façam isso. Tais propostas geram a obrigação, se não legal, pelo menos moral, de sua realização, haja vista que foi por causa delas que eleitores depositaram o voto de confiança em certo candidato. Ou seja, gostaram das propostas e acreditaram que o candidato estaria dizendo a verdade, que iria realizá-las.

Mas a atuação do eleitor não deve se limitar ao processo de votar. Eleitores cidadãos precisam não esquecer, jamais, que o voto é apenas uma das formas de participação na política. Tão importante quanto votar é acompanhar o trabalho dos candidatos eleitos durante o mandato e fiscalizar a realização das propostas feitas em época de campanha eleitoral.

É este tão importante controle social, é este acompanhamento, é esta fiscalização rigorosa da atuação dos políticos que estimulará a concretização das propostas feitas. Não se pode mais permitir que propostas, objetivos e projetos de campanha transformem-se em simples promessas não cumpridas. Destas, estamos fartos. É um desrespeito ao eleitor prometer e não cumprir. Eleger-se, iludindo o povo, não deve ser mais tolerado pela sociedade.

Logo, o controle social deve ser intensificado. Até porque, nos dias de hoje, há vários recursos tecnológicos que permitem gravar e guardar os discursos, os programas de TV, de rádio, jornais, enfim, todos os materiais de campanha, contendo o registro de propostas (ou simples promessas!) dos candidatos. Isto tudo pode ser usado pela população para monitorar a realização das propostas dos políticos.

Insistimos que este ato – o controle social organizado, rigoroso e permanente – é a principal arma da população para evitar que os políticos brinquem com as esperanças do povo. E cada vez mais, as pessoas entendem que as suas vidas dependem da forma como a política é feita e que problemas em áreas como saúde, educação, transporte, lazer, segurança, e outras, são consequências da falta de participação e controle popular sobre a política.

Portanto, fiscalizar o uso de recursos públicos, estar atento para cada ato e cada comportamento do político enquanto pessoa pública, analisar cada votação do político eleito nas câmaras legislativas, verificar quais projetos são propostos e qual a implicação de cada um na vida em sociedade, avaliar quais interesses e quais grupos o político defende, identificar quais valores e princípios pessoais e coletivos pautam as decisões do político enquanto pessoa pública, enfim, de fato, não basta votar, é preciso fazer o controle social sobre os políticos. E essa participação cidadã na política é tarefa de todos e de cada um de nós, para que as nossas esperanças não sejam frustradas! ♦

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