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Alguns ensinamentos da eleição de vereadores de Guarapuava

21/10/2012

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 20-21/10/12, ano XIII, ed. 3461, p. A18.

A eleição de vereadores tem características diferentes da eleição para o executivo municipal. A grande quantidade de candidatos permite muitas surpresas em relação ao conjunto de vereadores eleitos. Candidatos quase desconhecidos são eleitos. Candidatos muito conhecidos não vencem eleições. Vereadores atuais não se reelegem. Outros se reelegem, surpreendendo muitos. De fato, há sempre a expectativa pelo resultado final das eleições. E, a cada período de campanha eleitoral, podemos observar fatos e fazer algumas constatações ou simplesmente considerações, mesmo que falíveis, inerentes a este importante momento democrático da cidade: a eleição de vereadores de Guarapuava.

A primeira constatação é que o escândalo político da câmara de vereadores, ocorrido em 2011, o qual se tornou amplamente público por meio da denominada “Operação Fantasma”, do GAECO, parece que teve influência no processo eleitoral, pois somente três vereadores conseguiram a reeleição. É com muita satisfação que percebemos essa postura mais crítica da população. Quem esteve no dia de manifestações na câmara de vereadores, em 2011, sabe que a revolta da população foi grande, e com razão! A câmara de vereadores estava protegida, inclusive por força policial, que inicialmente cerceou o acesso da população à casa “do povo”, pois temia o descontrole dos manifestantes. Posteriormente, as portas foram abertas e tudo ocorreu dentro dos padrões de civilidade esperados.

Mas não são apenas os envolvidos no escândalo que foram penalizados nas urnas. Vale lembrar que muitos eleitores, naquele momento de revolta e indignação popular, também estavam de olho nos demais vereadores. À época, os cidadãos também se revoltaram contra parte desses vereadores, pois esperavam atitudes e comportamentos mais críticos, mais contundentes, e manifestações expressas em relação ao caso. Porém, talvez pelo fato de serem “colegas de trabalho”, o silêncio e a omissão de parte dos vereadores sobre o escândalo foi a regra. E isto foi percebido pelos cidadãos, ávidos por justiça. Constata-se que as urnas deram um recado direto aos vereadores omissos: “nós, eleitores, não toleramos vereadores omissos, deliberadamente calados e que sejam ou pareçam ser coniventes com ilegalidades”. O povo não tolera mais vereadores que insistem em ficar em cima do muro em momentos críticos da política local.

Outra constatação importante é que os eleitores de cargos de vereadores, salvo raras exceções, não são mais fieis aos políticos em todas as eleições. Ao contrário do que muitos pensam, os eleitores demonstraram que analisam e julgam, ainda que minimamente, o mandato daqueles que elegeram em eleições passadas. Casos como os dos “radialistas políticos”, os quais não conseguiram as suas reeleições, evidenciam isso. Esse fato já ocorreu com outros “radialistas políticos” em eleições anteriores. Portanto, parece que não basta mais ter acesso a importantes e valiosos recursos de exposição pública e de marketing político, como o rádio. A população exige um desempenho minimamente satisfatório de seus vereadores para votar neles novamente.

É importante destacar ainda os exemplos de comunidades, bairros, vilas, distritos, que, por diversos meios e formas, conseguiram eleger candidatos locais, ou seja, candidatos que moram naquela localidade ou que possuem fortes ligações com ela. Vários desses fatos não ocorreram ao acaso. Foram frutos de liderança e organização popular, de trabalho coletivo no sentido de ensinar aos eleitores que é bom para a comunidade votar em candidatos próximos, candidatos da própria comunidade, enfim, pessoas que vivem naquele lugar e conhecem os seus problemas e as reivindicações da população. Dessa forma, se a eleição desses candidatos locais foi resultado de formação crítica e conscientização popular (e jamais de manipulação de eleitores por meio de quaisquer formas), esse processo é, com certeza, bastante positivo para a democracia e pode representar uma tendência na eleição de vereadores da cidade.

Por fim, destaco algo que não é uma característica só desta eleição, mas o seu significado é belo: a determinação de parte dos candidatos em alcançar o seu objetivo, ou seja, eleger-se vereador. Este fato é evidenciado quando se conhece a história de candidatos que tentaram a eleição no passado, alguns por diversas vezes, e não conseguiram. Mas jamais desistiram do sonho, do ideal. E agora foram eleitos, sagrando-se vitoriosos.

E que esta última lição nos ensine a jamais desistir do ideal de uma política melhor! ♦

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