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Informação

Estou sem tempo para escrever novos textos.

Organizações sociais fiscalizadoras não podem ser reféns de políticos

09/12/2012

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 08-09/12/12, ano XIII, ed. 3494, p. A16.

CONTROLE SOCIALA democracia é fortalecida por meio da existência de organizações sociais fiscalizadoras da atuação pública. Não basta a eleição de representantes do povo para assumir os cargos executivos e legislativos. É necessário fiscalizá-los, observar a sua atuação, acompanhar o uso de recursos públicos, influenciar as decisões sobre quais atividades, obras e serviços públicos são prioridade para a sociedade. Em outras palavras, é necessário que a sociedade exerça alguma forma de controle sobre a atuação dos homens e mulheres públicos.

Neste sentido, em todas as democracias sólidas do mundo, há um conjunto de organizações sociais que tem o objetivo de, em nome da população, exercer tal fiscalização e controle sobre a atuação de políticos e pessoas que estão no comando – temporário – de cidades, estados, países e suas empresas e organizações públicas. Dessa forma, a qualidade da democracia também depende da qualidade dessas organizações sociais fiscalizadoras, muitas vezes denominadas, nem sempre de forma adequada, de instituições.

A importância dessas organizações ou instituições coletivas é incontestável, haja vista que os cidadãos, sozinhos, isolados, enquanto pessoas, terão dificuldades de se fazer ouvir. Tais organizações, quando formalizadas, inclusive juridicamente, adquirem credibilidade e legitimidade suficiente para fiscalizar, controlar, gerar análises e relatórios sobre a atuação pública, promover protestos e reivindicações, e até a promoção de ações judiciais, quando necessário, para que haja alguma correção, condenação ou esclarecimentos sobre a atuação de pessoas e organizações públicas.

O foco de atuação é definido pela própria organização fiscalizadora, como observatórios sociais, sindicatos das mais diversas categorias, associações de vários tipos, organizações estudantis, enfim, o nome ou a denominação e sua finalidade podem ser diversas. O mais importante é a sua característica fiscalizadora e reivindicatória no sentido de beneficiar a sociedade.

Mas para que a atuação fiscalizadora, em nome de uma coletividade, ocorra de fato, é necessário que tais organizações coletivas tenham e exerçam a independência de partidos e de políticos. Salvo quando se trata de uma organização que se identifica publicamente como partidária. Porém, não se pode aceitar que uma organização que se diz fiscalizadora da atuação pública, isenta e apartidária, seja influenciada e controlada por grupos políticos. Quando isso acontece, a organização social fiscalizadora perde a credibilidade, e será percebida como uma organização não séria, não comprometida com a coletividade a qual diz representar.

As organizações sociais que pretendem ser reconhecidas como fiscalizadoras da atuação pública não podem ser usadas para se fazer politicagem em benefício de determinado político ou grupo político. Afinal, que espécie de fiscalização e controle crítico pode ser realizada por meio de uma organização fiscalizadora que é composta por pessoas que apoiam o grupo político que está no poder? Ou que possui membros os quais pertencem a partidos políticos apoiadores do prefeito? Terão isenção suficiente para realmente fiscalizar a atuação pública desse prefeito? A resposta é não!

Neste contexto, é importante refletir sobre as organizações sociais que se dizem fiscalizadoras. Estariam elas, após o período de eleições municipais, com condições de atuar de forma isenta politicamente? Tais organizações sociais são realmente apartidárias ou estão a serviço de partidos e grupos políticos? Seus membros são filiados em partidos políticos? Se tais organizações possuem vínculos com partidos e políticos elas informam isso para a sociedade, num ato de honestidade, ou simplesmente discursam isenção e apartidarismo, sem exercer tão isenção? Qual é a história de surgimento de tais organizações fiscalizadoras? Essa história está ligada a partidos políticos ou grupos políticos? Foram criadas da necessidade real da fiscalização da atuação pública ou foram criadas apenas para criticar o atual grupo político no poder e contribuir para eleger outro grupo político?

Sempre surgem organizações que se dizem fiscalizadoras isentas e apartidárias. Várias delas, em pouco tempo, desaparecem. Portanto, parece que o tempo e o modo de atuação dirão quais organizações sociais fiscalizadoras são realmente sérias e quais são meros instrumentos manipuláveis a serviço de grupos políticos. ♦

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O culto à desigualdade

02/12/2012

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 01-02/12/12, ano XIII, ed. 3489, p. A20.

No último domingo, dia 25 de novembro, um dos mais conhecidos jornais da grande imprensa – a Folha de São Paulo – publicou um texto de uma colunista que deixou muitos brasileiros estarrecidos. Dentre eles, eu. Foi muito difícil ler o texto até o final. E foi repugnante perceber o quanto existem pessoas que lamentam o fato de nosso país estar se tornando mais igualitário, e, portanto, mais justo com seu povo.

Reconheço que temos muito, mas muito mesmo, a conquistar nesse tema. Porém, os avanços na melhoria da qualidade de vida geral e de acesso às oportunidades aos brasileiros são inegáveis, especialmente com a entrada de Lula (PT) na presidência da república, a partir do ano de 2003. Talvez os mais jovens não se lembrem de como era sofrida a vida até a gestão de FHC (PSDB). É necessário informar-se sobre o passado para valorizar o presente.

Mas retornemos ao conteúdo do texto da colunista. De acordo com ela, ser rico no Brasil, perdeu a graça! E perdeu a graça porque há maior dificuldade dos ricos se destacarem dos demais brasileiros. É como se os ricos tivessem perdido a sua identidade e a sua forma de mostrar ao mundo que são diferentes, que são exclusivos e que podem ter coisas exclusivas, que são superiores! Ou seja, perdeu a graça porque antes as fronteiras entre ricos e pobres eram muito bem definidas. Hoje, não mais.

De fato, antes, era uma dificuldade enorme para uma família comprar uma casa. Hoje, com o aumento real na renda dos brasileiros e as possibilidades de financiamento habitacional, o sonho da casa própria torna-se realidade com muito mais facilidade. Antes, a possibilidade de um jovem em início de carreira profissional comprar uma moto ou um carro, era quase nula, salvo, obviamente, para os oriundos de famílias “bem de vida”. Hoje, é possível adquirir tais veículos por meio de prestações acessíveis. A universidade também era um sonho distante para muitos jovens. Hoje, as oportunidades são muito maiores.

Outros exemplos de produtos e serviços que diferenciavam os ricos de pobres eram os eletrônicos e outros produtos com tecnologia inovadora; além de viagens para lugares e países exclusivos, que só os endinheirados podiam fazer. A alimentação farta e diversa também era um diferencial dos ricos em relação aos pobres, haja vista que o que os pobres, na sua maioria, comiam mesmo era feijão com arroz, sem direito à “mistura”. Leite e carne tinham só no final de semana, na maioria das famílias pobres. Sucos de frutas e as próprias frutas, pobres só tinham acesso se as cultivassem no quintal, ou se comprassem, de vez em quando, as frutas mais baratas, como banana e laranja.

Enfim, outros aspectos poderiam ser citados para enfatizar como era a vida de milhões de brasileiros num passado muito recente. E é evidente que estas comparações generalizadas, simplistas e falíveis, podem ser questionadas. Mas, ainda assim, representam muito da realidade do passado recente de muitos brasileiros e brasileiras. E representam, ainda, a realidade atual para milhões de pobres e miseráveis.

Registre-se que o Brasil avançou muito nos últimos anos na redução da pobreza e da miséria. De acordo com o ex-presidente Lula, baseado em estudos, 28 milhões de pessoas deixaram a pobreza e quase 40 milhões de brasileiros ascenderam à classe média de 2003 a 2010. Pesquisas mostram que a pobreza continua diminuindo no governo Dilma. Mas tais avanços não são vistos com bons olhos por parte da elite brasileira, a qual sempre se regozijou com a desigualdade social. A colunista da Folha de São Paulo teceu lamentações que mostram como parte dessa elite se sente em relação às transformações sociais recentes no Brasil.

De acordo com ela, possuir carros e outros bens de alto valor, como casas e apartamentos, viajar para o exterior, ter produtos eletrônicos recém-lançados, usufruir de certos serviços, enfim, ter e usufruir de tudo o que tornava os ricos exclusivos e diferentes, teria perdido a graça, justamente porque a maioria dos brasileiros também pode ter e usufruir de tais coisas. Para ela, “O problema é: como se diferenciar do resto da humanidade, se todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais?”.

É fato. Parte da elite não se conforma em ver o povo tendo acesso a bens e serviços que, antes, eram exclusividade dos ricos. E assim caminha a humanidade. Uns lutam por igualdade, melhoria da qualidade de vida e inclusão social. Outros lamentam a igualdade e as conquistas sociais, porque é na desigualdade e na exclusão social que se sentem bem. ♦

Pobreza pensamento dos ricos

Pobreza esconder

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Abaixo, a reprodução do texto da colunista do jornal Folha de São Paulo, de 25/11/12:

“DANUZA LEÃO

Ser especial

Ir a Nova York já teve sua graça, mas, agora, o porteiro do prédio também pode ir, então qual a graça?

AFINAL, QUAL a graça de ter muito dinheiro? Quanto mais coisas se tem, mais se quer ter e os desejos e anseios vão mudando -e aumentando- a cada dia, só que a coisa não é assim tão simples. Bom mesmo é possuir coisas exclusivas, a que só nós temos acesso; se todo mundo fosse rico, a vida seria um tédio.

Um homem que começa do nada, por exemplo: no início de sua vida, ter um apartamento era uma ambição quase impossível de alcançar; mas, agora, cheio de sucesso, se você falar que está pensando em comprar um com menos de 800 metros quadrados, piscina, sauna e churrasqueira, ele vai olhar para você com o maior desprezo -isso se olhar.

Vai longe o tempo do primeiro fusquinha comprado com o maior sacrifício; agora, se não for um importado, com televisão, bar e computador, não interessa -e só tem graça se for o único a ter o brinquedinho. Somos todos verdadeiras crianças, e só queremos ser únicos, especiais e raros; simples, não?

Queremos todas as brincadeirinhas eletrônicas, que acabaram de ser lançadas, mas qual a graça, se até o vizinho tiver as mesmas? O problema é: como se diferenciar do resto da humanidade, se todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais?

As viagens, por exemplo: já se foi o tempo em que ir a Paris era só para alguns; hoje, ninguém quer ouvir o relato da subida do Nilo, do passeio de balão pelo deserto ou ver as fotos da viagem -e se for o vídeo, pior ainda- de quem foi às muralhas da China. Ir a Nova York ver os musicais da Broadway já teve sua graça, mas, por R$ 50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir, então qual a graça? Enfrentar 12 horas de avião para chegar a Paris, entrar nas perfumarias que dão 40% de desconto, com vendedoras falando português e onde você só encontra brasileiros -não é melhor ficar por aqui mesmo?

Viajar ficou banal e a pergunta é: o que se pode fazer de diferente, original, para deslumbrar os amigos e mostrar que se é um ser raro, com imaginação e criatividade, diferente do resto da humanidade?

Até outro dia causava um certo frisson ter um jatinho para viagens mais longas e um helicóptero para chegar a Petrópolis ou Angra sem passar pelo desconforto dos congestionamentos. Mas hoje esses pequenos objetos de desejo ficaram tão banais que só podem deslumbrar uma menina modesta que ainda não passou dos 18. A não ser, talvez, que o interior do jatinho seja feito de couro de cobra -talvez.

É claro que ficar rico deve ser muito bom, mas algumas coisas os ricos perdem quando chegam lá. Maracanã nunca mais, Carnaval também não, e ver os fogos do dia 31 na praia de Copacabana, nem pensar. Se todos têm acesso a esses prazeres, eles passam a não ter mais graça.

Seguindo esse raciocínio, subir o Champs Elysées numa linda tarde de primavera, junto a milhares de turistas tendo as mesmas visões de beleza, é de uma banalidade insuportável. Não importa estar no lugar mais bonito do mundo; o que interessa é saber que só poucos, como você, podem desfrutar do mesmo encantamento.

Quando se chega a esse ponto, a vida fica difícil. Ir para o Caribe não dá, porque as praias estão infestadas de turistas -assim como Nova York, Londres e Paris; e como no Nordeste só tem alemães e japoneses, chega-se à conclusão de que o mundo está ficando pequeno.

Para os muito exigentes, passa a existir uma única solução: trancar-se em casa com um livro, uma enorme caixa de chocolates -sem medo de engordar-, o ar-condicionado ligado, a televisão desligada, e sozinha.

E quer saber? Se o livro for mesmo bom, não tem nada melhor na vida.

Quase nada, digamos.”

Após as eleições, não convém a participação popular?

19/11/2012

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 17-18/11/12, ano XIII, ed. 3479, p. A18.

Sempre que se encerra o período de eleições, surge o natural questionamento da sociedade sobre quais pessoas assumirão os cargos de confiança do grupo político eleito na prefeitura municipal.

Algumas vezes, o grupo político, a mando do prefeito eleito, tenta conter a “curiosidade” da população em relação à decisão sobre os nomes que irão compor especialmente o seu secretariado. Assim, por meio de “garotos de recados” ou por eles próprios – prefeitos(as) e vice-prefeitos(as) -, dizem, sutilmente, ou, em alguns casos, diretamente: “População, pare de me pressionar, pare de questionar, pare de participar, pare de se manifestar!”.

Esse “recado” é preocupante. É como se o(a) prefeito(a) eleito(a), antes mesmo de assumir o mandato, estivesse dando as costas ao povo que o elegeu. Afinal, já conseguiu os votos necessários para assumir o poder, porque dar atenção, agora, após as eleições, ao povo, não é mesmo? Parece que a população, os eleitores e eleitoras, a imprensa, enfim, toda a sociedade deve, a partir de agora, após as eleições, retornar ao seu devido lugar: meros cidadãos passivos, calminhos, obedientes, medrosos, submissos ao poder político que elegeram. Ora, sempre foi assim, porque mudar?

Neste contexto, não é preciso ser especialista em análise de discurso para perceber o incômodo que muitos políticos demonstram com a participação popular ou com manifestações populares, principalmente aquelas que podem influenciar as escolhas e a gestão dos homens e mulheres públicos. Claro que isso ocorre sempre depois das eleições. Antes, o povo é tratado com um respeito extraordinário. É incrível ver o quanto os políticos enfatizam o valor da participação popular, das manifestações e fiscalizações populares, da opinião das pessoas, antes das eleições.

Mas a população, a imprensa, e toda a sociedade, não deve e não vai se calar. Isso não acontecerá! Os políticos eleitos precisam entender que a população os elegeu, e essa população tem todo o direito de questionar, e inclusive pressionar, no bom sentido, para que sejam feitas boas escolhas. Mas sabemos que o conceito de “boas escolhas” é um tanto quanto relativo, haja vista que sempre existirão argumentos para justificar a escolha de quaisquer nomes para ocupar cargos os quais o prefeito tem o poder de nomear.

Lembro-me de uma professora universitária experiente que comentou em sala de aula, ainda quando eu cursava a graduação, sobre pessoas que assumiam cargos de confiança em organizações públicas sem a devida competência para tal. Ela afirmou que qualquer pessoa assume cargos de confiança em organizações públicas, desde que esteja apoiando quem tem poder e permaneça fiel ao grupo político, avalizando, inclusive, as suas ações.

De fato, a realidade e a experiência mostram que, em muitos casos, não importa a competência das pessoas, pois elas assumem os cargos de confiança e “vão levando” a coisa pública. Não têm o compromisso com resultados. E ainda podem sair se autoproclamando competentes pelo simples fato de terem assumido cargos de confiança. Aliás, muitos ocupantes de cargos de confiança confundem a bajulação e a subserviência obrigatórias a que são submetidos e que os mantém em cargos de confiança, com a competência, a qual deveria ser um requisito para ocupar tais cargos.

Por fim, espera-se que o povo, que a imprensa, que toda a sociedade, questione, converse, participe, e pressione sim o poder público eleito. Talvez assim, aumentem as chances de que os cargos sejam ocupados por pessoas competentes. A omissão popular não é saudável. Participemos, questionemos, especulemos! Participar é nosso dever e nosso direito na democracia. Não importa se os políticos gostam ou não da participação popular! ♦

Eleições municipais e o cenário favorável a Dilma Rousseff em 2014

10/11/2012

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 10-11/11/12, ano XIII, ed. 3475, p. A18.

Desde que o PT foi oficialmente fundado, em 10/02/1980, o partido não para de crescer. Em 2012, não foi diferente. As informações do TSE e diversos sites de notícias mostram um partido com tendência crescente em conquista de votos e prefeituras, fato que se consolida a cada eleição municipal. Em 2008, o PT tinha 558 prefeituras no país. Com as eleições deste ano, aumentou para 635. Portanto, teve um crescimento significativo de 14%.

É oportuno registrar que, entre os grandes partidos, somente o PT e o PSB conseguiram aumentar a quantidade de prefeitos eleitos em relação ao ano de 2008. O PSB tinha 310 prefeituras e aumentou agora para 442. Destacou-se também o PSD, que conseguiu 497 prefeituras nestas eleições, apesar de ser um partido criado recentemente. Uma explicação é o fato de que o partido atraiu muitos políticos experientes e com alto “capital político” junto aos eleitores, principalmente oriundos do DEM e PSDB. Na realidade, o PSD acabou sendo a alternativa para os políticos insatisfeitos com seus partidos.

Os demais que compõem o grupo dos onze maiores partidos, todos reduziram a quantidade de prefeituras sob seus comandos (PPS: de 130 para 123, PR: de 384 para 275, DEM: de 495 para 278, PTB: de 415 para 295, PDT: de 351 para 311, PP: de 554 para 469, PSDB: de 791 para 702, PMDB: de 1204 para 1024). Observe-se ainda que o PT e PMDB  são os únicos partidos que conquistaram prefeituras em todos os estados brasileiros.

Em relação às câmaras legislativas municipais, o PT aumentou em 25% a quantidade de vereadores eleitos em todo o país. Em 2008, tinha 4.164 vereadores e elegeu, em 2012, 5.191. Somente o PSB e PDT também conseguiram aumentar o seu quadro de vereadores. O PSB tinha 2.954 e elegeu 3.557. O PDT tinha 3.520 e passou para 3.661. Mais uma vez, o novato PSD apresenta uma votação expressiva, obtendo 4.664 cadeiras de vereadores em 2012.

Os outros partidos do grupo dos onze maiores reduziram seu quadro de vereadores eleitos para o próximo mandato (PPS: de 2.155 para 1.857, PR: de 3.527 para 3.187, DEM: de 4.797 para 3.277, PTB: de 3.934 para 3.574, PP: de 5.117 para 4.930, PSDB: de 5.890 para 5.255, PMDB: de 8.463 para 7.956).

O PT também obteve a maior votação na legenda, com 1.488.957 votos, seguido pelo PSDB com 1.195.548 votos, e posteriormente pelo PMDB com 1.109.790 votos. Na votação para prefeito, o PT auferiu a maior votação entre todos os partidos, atingindo a marca de 17.264.643 votos válidos, ou seja, 16,77% do total. Os partidos mais próximos dessa votação são: PMDB com 16.675.787 votos, PSDB com 13.927.212 votos, e PSB com 8.664.886.

Convém registrar ainda que o PT, sozinho, governará mais de 27 milhões de eleitores,  que equivale a quase 20% do total do país. É a maior fatia do eleitorado brasileiro governada por um só partido. Não obstante, se somarmos a quantidade de eleitores que serão governados pelo PT mais todos os partidos da base aliada do governo federal, temos o impressionante número de mais de 70% de todo o eleitorado brasileiro sob o governo do PT ou de seus partidos aliados. É óbvio que toda eleição é complexa e os votos para presidente não são automáticos em partidos que governam as cidades, mas é um número que deve preocupar, e muito, a oposição ao governo federal, composta principalmente por PSDB, DEM e PPS.

De fato, as eleições municipais mostram que a oposição perdeu espaço junto ao eleitorado. A coligação que governa o país cresceu e o PT torna-se, a cada eleição, um partido hegemônico no Brasil, aprovado pelos eleitores. Logo, com base nos resultados das urnas e a manutenção do bom desempenho da gestão do PT no governo federal, é quase certa a reeleição de Dilma Rousseff para a presidência. A conjuntura política apresenta-se realmente favorável ao PT em 2014. Mais ainda se considerarmos o fator Lula nas eleições! ♦

Fonte das imagens: Resumo da Situação do PT após o segundo turno da eleição de 2012

Cargos que não exigem “cérebro” tendem a desaparecer

30/10/2012

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 27-28/10/12, ano XIII, ed. 3466, p. A18.

É impossível fugir das novas tecnologias. Todos nós, de alguma maneira, usufruímos e somos beneficiados pelos avanços tecnológicos. As empresas, mais ainda, pois tem a possibilidade de reduzir custos e aprimorar seus processos por meio de máquinas, equipamentos, sistemas de computadores, novas matérias-primas e os demais recursos, frutos do desenvolvimento tecnológico.

Mas as “novas tecnologias” não são resultado só do presente ou apenas do passado próximo, como muitas vezes as pessoas pensam. Na realidade, desde que a humanidade organizou-se em sociedade e passou a utilizar instrumentos, ferramentas, técnicas e conhecimentos organizados para fazer diversas atividades, as tecnologias já estavam presentes, e novas tecnologias, ou o aprimoramento das existentes, foram surgindo ao longo do tempo.

O fato é que nos dias atuais, o desenvolvimento de novas tecnologias acontece cada vez mais rápido, determinando, consequentemente, a obsolescência de outras. Isso acontece em todas as áreas da sociedade e serve de alerta para todos aqueles que se encontram ou pretendem entrar no mercado de trabalho. Muitas atividades ou trabalhos antes feitos por pessoas tendem a ser substituídos por máquinas ou sistemas de computadores, ou outras tecnologias. Tais atividades, na quase totalidade dos casos, são caracterizadas pela forma simples e repetitiva de execução de tarefas, ou seja, são atividades que podem ser analisadas, separadas em partes, e programadas num computador ou outra máquina. E a máquina fará a atividade tão bem ou até melhor que o homem.

É por isso que presenciamos cada vez mais, por exemplo, atividades bancárias sendo totalmente automatizadas. A existência dos caixas eletrônicos mostra essa realidade. Estas máquinas foram desenvolvidas porque parte das tarefas executadas por funcionários (caixas) do banco, é simples e repetitiva. Assim, foi possível fazer com que uma máquina substituísse o trabalho dessas pessoas no banco. O sistema de acesso ao banco via internet também ilustra essa tendência. E já há projetos de agências bancárias totalmente automatizadas, que deverão ser implementadas num futuro próximo, ou seja, sem a presença de funcionários do banco. Somente máquinas irão interagir com os clientes.

Mas não é só o setor bancário que passa por tais transformações. Todas as áreas estão tornando-se mais automatizadas, como a indústria, o comércio, a agricultura, o setor de serviços, e diversas atividades de governos públicos. E essa é a tendência, em quaisquer organizações, com as atividades que não exigem raciocínios, pensamentos, decisões e comportamentos mais elaborados, mais difíceis, enfim, mais complexos e que somente o ser humano pode fazer de forma satisfatória.

Portanto, os cargos que são caracterizados pela repetição de atividades, pela simplicidade de execução, pela ausência de raciocínio, ou pelo simples uso da força, tendem a ser substituídos por novas tecnologias, por máquinas, por robôs, por sistemas de computadores. Não há como evitar essa substituição.

Nesse contexto, não podemos deixar de citar aqueles que criticam o desenvolvimento de novas tecnologias pelo fato de que reduziriam as vagas de trabalho. De fato, uma máquina pode substituir inúmeras pessoas na empresa. Mas o surgimento de novas tecnologias é inevitável, e vai continuar acontecendo. Os trabalhadores precisam questionar se o trabalho que fazem pode ser feito por uma máquina e qualificar-se para atividades que usam raciocínios mais complexos.

E se não há como fugir de novas tecnologias, tenhamos uma postura positiva para nos adaptarmos a elas e também para usufruirmos de seus benefícios. ♦

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– Notícia relacionada: Cientistas americanos criam ‘robô mula sem cabeça’

Clique na imagem abaixo para ver o vídeo sobre o “robô mula”:

Vídeo da mula-robô

– Clique na imagem abaixo para ver um vídeo de colheita mecanizada de floresta:

Vídeo de colheita mecanizada floresta

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(Observação: na versão do texto publicada no jornal, a primeira frase: “É impossível fugir das novas tecnologias.” foi publicada, por erro do autor do texto, como “É impossível tentar fugir das novas tecnologias.” Neste blog, corrigimos, pois é impossível fugir, mas não é impossível “tentar” fugir.)

Alguns ensinamentos da eleição de vereadores de Guarapuava

21/10/2012

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 20-21/10/12, ano XIII, ed. 3461, p. A18.

A eleição de vereadores tem características diferentes da eleição para o executivo municipal. A grande quantidade de candidatos permite muitas surpresas em relação ao conjunto de vereadores eleitos. Candidatos quase desconhecidos são eleitos. Candidatos muito conhecidos não vencem eleições. Vereadores atuais não se reelegem. Outros se reelegem, surpreendendo muitos. De fato, há sempre a expectativa pelo resultado final das eleições. E, a cada período de campanha eleitoral, podemos observar fatos e fazer algumas constatações ou simplesmente considerações, mesmo que falíveis, inerentes a este importante momento democrático da cidade: a eleição de vereadores de Guarapuava.

A primeira constatação é que o escândalo político da câmara de vereadores, ocorrido em 2011, o qual se tornou amplamente público por meio da denominada “Operação Fantasma”, do GAECO, parece que teve influência no processo eleitoral, pois somente três vereadores conseguiram a reeleição. É com muita satisfação que percebemos essa postura mais crítica da população. Quem esteve no dia de manifestações na câmara de vereadores, em 2011, sabe que a revolta da população foi grande, e com razão! A câmara de vereadores estava protegida, inclusive por força policial, que inicialmente cerceou o acesso da população à casa “do povo”, pois temia o descontrole dos manifestantes. Posteriormente, as portas foram abertas e tudo ocorreu dentro dos padrões de civilidade esperados.

Mas não são apenas os envolvidos no escândalo que foram penalizados nas urnas. Vale lembrar que muitos eleitores, naquele momento de revolta e indignação popular, também estavam de olho nos demais vereadores. À época, os cidadãos também se revoltaram contra parte desses vereadores, pois esperavam atitudes e comportamentos mais críticos, mais contundentes, e manifestações expressas em relação ao caso. Porém, talvez pelo fato de serem “colegas de trabalho”, o silêncio e a omissão de parte dos vereadores sobre o escândalo foi a regra. E isto foi percebido pelos cidadãos, ávidos por justiça. Constata-se que as urnas deram um recado direto aos vereadores omissos: “nós, eleitores, não toleramos vereadores omissos, deliberadamente calados e que sejam ou pareçam ser coniventes com ilegalidades”. O povo não tolera mais vereadores que insistem em ficar em cima do muro em momentos críticos da política local.

Outra constatação importante é que os eleitores de cargos de vereadores, salvo raras exceções, não são mais fieis aos políticos em todas as eleições. Ao contrário do que muitos pensam, os eleitores demonstraram que analisam e julgam, ainda que minimamente, o mandato daqueles que elegeram em eleições passadas. Casos como os dos “radialistas políticos”, os quais não conseguiram as suas reeleições, evidenciam isso. Esse fato já ocorreu com outros “radialistas políticos” em eleições anteriores. Portanto, parece que não basta mais ter acesso a importantes e valiosos recursos de exposição pública e de marketing político, como o rádio. A população exige um desempenho minimamente satisfatório de seus vereadores para votar neles novamente.

É importante destacar ainda os exemplos de comunidades, bairros, vilas, distritos, que, por diversos meios e formas, conseguiram eleger candidatos locais, ou seja, candidatos que moram naquela localidade ou que possuem fortes ligações com ela. Vários desses fatos não ocorreram ao acaso. Foram frutos de liderança e organização popular, de trabalho coletivo no sentido de ensinar aos eleitores que é bom para a comunidade votar em candidatos próximos, candidatos da própria comunidade, enfim, pessoas que vivem naquele lugar e conhecem os seus problemas e as reivindicações da população. Dessa forma, se a eleição desses candidatos locais foi resultado de formação crítica e conscientização popular (e jamais de manipulação de eleitores por meio de quaisquer formas), esse processo é, com certeza, bastante positivo para a democracia e pode representar uma tendência na eleição de vereadores da cidade.

Por fim, destaco algo que não é uma característica só desta eleição, mas o seu significado é belo: a determinação de parte dos candidatos em alcançar o seu objetivo, ou seja, eleger-se vereador. Este fato é evidenciado quando se conhece a história de candidatos que tentaram a eleição no passado, alguns por diversas vezes, e não conseguiram. Mas jamais desistiram do sonho, do ideal. E agora foram eleitos, sagrando-se vitoriosos.

E que esta última lição nos ensine a jamais desistir do ideal de uma política melhor! ♦

Esperanças renovadas com o fim do período eleitoral

06/10/2012

 Publicado no jornal Diário de Guarapuava, 06-07/10/12, ano XIII, ed. 3451, p. A20.

Ainda que muitas pessoas se definam apolíticas, algumas digam que não gostam de política, e outras se mostrem desacreditadas com a política e os políticos, o fato é que, até para estas pessoas, além daquelas que gostam e se envolvem, a campanha eleitoral tem uma função muito especial: renovar as esperanças de uma vida melhor para todos. O período eleitoral nos faz pensar sobre que tipo de sociedade que temos, e, principalmente, qual o tipo de sociedade que queremos.

Os candidatos e seus grupos políticos fazem diagnósticos da cidade, identificam seus pontos fortes e pontos fracos, e, especialmente com base em suas potencialidades, criam as propostas de melhorias, e apresentam uma espécie de visão de futuro para a cidade. No fundo, ao fazerem isso, não estão lidando apenas com os aspectos geográficos e estruturais ou materiais da cidade; estão, sim, lidando com as esperanças da população. Estão gerando expectativas, estão socializando sonhos, estão apresentando mudanças para a vida das pessoas.

E isto é muito sério. Portanto, independentemente do grupo político ou partido vencedor da eleição, a responsabilidade é muito grande. Não importa se o candidato eleito é jovem e inexperiente, ou atua na política há muito tempo, ou é um novo nome no cenário político da cidade. A realidade é que propostas foram feitas. Discursos inflamados foram expressos. Corações e mentes foram tocados. E cidadãos foram despertados para a possibilidade de um futuro melhor. E nós esperaremos ansiosos por esse futuro melhor!

Nesse contexto, um dos fatores mais importantes para a decisão sobre o voto é a análise e aceitação de propostas dos candidatos, mesmo que muitos eleitores não façam isso. Tais propostas geram a obrigação, se não legal, pelo menos moral, de sua realização, haja vista que foi por causa delas que eleitores depositaram o voto de confiança em certo candidato. Ou seja, gostaram das propostas e acreditaram que o candidato estaria dizendo a verdade, que iria realizá-las.

Mas a atuação do eleitor não deve se limitar ao processo de votar. Eleitores cidadãos precisam não esquecer, jamais, que o voto é apenas uma das formas de participação na política. Tão importante quanto votar é acompanhar o trabalho dos candidatos eleitos durante o mandato e fiscalizar a realização das propostas feitas em época de campanha eleitoral.

É este tão importante controle social, é este acompanhamento, é esta fiscalização rigorosa da atuação dos políticos que estimulará a concretização das propostas feitas. Não se pode mais permitir que propostas, objetivos e projetos de campanha transformem-se em simples promessas não cumpridas. Destas, estamos fartos. É um desrespeito ao eleitor prometer e não cumprir. Eleger-se, iludindo o povo, não deve ser mais tolerado pela sociedade.

Logo, o controle social deve ser intensificado. Até porque, nos dias de hoje, há vários recursos tecnológicos que permitem gravar e guardar os discursos, os programas de TV, de rádio, jornais, enfim, todos os materiais de campanha, contendo o registro de propostas (ou simples promessas!) dos candidatos. Isto tudo pode ser usado pela população para monitorar a realização das propostas dos políticos.

Insistimos que este ato – o controle social organizado, rigoroso e permanente – é a principal arma da população para evitar que os políticos brinquem com as esperanças do povo. E cada vez mais, as pessoas entendem que as suas vidas dependem da forma como a política é feita e que problemas em áreas como saúde, educação, transporte, lazer, segurança, e outras, são consequências da falta de participação e controle popular sobre a política.

Portanto, fiscalizar o uso de recursos públicos, estar atento para cada ato e cada comportamento do político enquanto pessoa pública, analisar cada votação do político eleito nas câmaras legislativas, verificar quais projetos são propostos e qual a implicação de cada um na vida em sociedade, avaliar quais interesses e quais grupos o político defende, identificar quais valores e princípios pessoais e coletivos pautam as decisões do político enquanto pessoa pública, enfim, de fato, não basta votar, é preciso fazer o controle social sobre os políticos. E essa participação cidadã na política é tarefa de todos e de cada um de nós, para que as nossas esperanças não sejam frustradas! ♦